Havia uma pessoa que caminhava com dificuldade e, por isso, apoiava-se sempre em uma bengala. Não era fraca, mas indecisa. À sua frente, todos os dias, surgiam dois caminhos claros e bem delimitados.
O primeiro caminho era largo, iluminado e silencioso. Nele estavam gravadas palavras como justiça, responsabilidade e amor ao próximo. Quem por ali passava precisava andar com esforço próprio, respeitando o passo do outro, ajudando quando necessário, mas sem empurrar ninguém.
O segundo caminho era estreito no início e prometia facilidade. Seus marcos falavam de igualdade imposta, controle e promessas coletivas. Muitos diziam que ali ninguém precisaria carregar peso algum, pois tudo seria decidido por outros.
A pessoa da bengala nunca escolhia. Dava alguns passos pelo caminho da justiça e do amor, sentia o peso da responsabilidade e recuava. Logo depois, apoiava-se na bengala e seguia um trecho do caminho do comunismo, seduzida pelas promessas de segurança sem esforço. Ao perceber a rigidez e a perda de direção própria, voltava atrás.
Assim, passava os dias jogando-se de um caminho para o outro, sem avançar de fato. A bengala, que deveria servir de apoio para caminhar, tornou-se instrumento de equilíbrio na indecisão.
Com o tempo, a pessoa percebeu que não saía do lugar. Enquanto outros seguiam adiante — errando, aprendendo e construindo — ela permanecia no mesmo ponto, cansada e frustrada.
Então compreendeu a lição que os caminhos silenciosamente ensinavam:
quem não escolhe um rumo acaba prisioneiro da própria hesitação. A bengala não substitui a decisão, e nenhum caminho revela seus frutos a quem apenas o testa, mas nunca o percorre até o fim.
Moral:
A neutralidade entre princípios opostos não é equilíbrio; é estagnação. Escolher exige coragem, mas não escolher cobra um preço ainda maior.