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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Paradoxo do Enriquecimento




Modelos predador-presa são equações que descrevem ambientes ecológicos do mundo real, por exemplo, como as populações de raposas e coelhos mudam em uma grande floresta.

Vamos supor que a quantidade de alface aumente permanentemente em uma floresta. Assim, é de se esperar que haja um aumento na população de coelhos – que se alimentam de alface. Com uma oferta maior de alimento, a espécie tende a se reproduzir mais.

Mas, segundo o Paradoxo do Enriquecimento, esse pode não ser o caso. A população de coelhos aumentaria inicialmente. Contudo, o aumento da densidade de coelhos em um ambiente fechado também conduziria o aumento da população de raposas – que se alimentam de coelhos. Ao invés de encontrar um novo equilíbrio, os predadores podem crescer tanto em número que podem acabar com a presa e, assim, prejudicar sua própria espécie.

Na prática, os animais podem desenvolver meios para escapar do trágico destino do paradoxo, o que leva à populações estáveis. Por exemplo, as novas condições podem induzir ao desenvolvimento de novos mecanismos de defesa da presa.

Fonte: hypescience.com

segunda-feira, 10 de junho de 2013

AFETIVIDADE

A afetividade pode ser comparada a lente de óculos, através dos quais vemos o mundo. Se não estiver correto, podemos ver as coisas menores ou maiores do que são; mais coloridas ou cinzentas, distorcidas e fora de foco. Tratar a afetividade significa regular os óculos através dos quais vemos o mundo. 


E  a afetividade quem dá valor e representa nossa realidade. É ela que atua nas causas subjetivas. Valoriza tanto os fatos e acontecimentos do passado como perspectivas futuras. Por exemplo: medo, conflitos, anseios, etc.

Para compreender a afetividade é preciso compreender os elementos do mundo psíquico  como as representações, os sentimentos, as vivencias, as reações vivenciais.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A Importância dos Contos de Fadas na Educação Infantil




Li  e ouvi bastante   a respeito desse assunto, mas para falar dele,   de maneira simples mas precisa, escolhi  as professoras Fanny Abramovich  e Vera Teixeira de Aguiar que muito melhor   transmitirão  o  imenso valor que essas histórias  representam no desenvolvimento emocional de nossas crianças. 

OS CONTOS DE FADAS VIVEM ATÉ HOJE ...

Quem lê “Cinderela” não imagina que há registros  de que esta história já era contada na China, durante o século IX A.C.. E, assim como tantas outras, tem se perpetuado há milênios, atravessando todas as geografias, mostrando toda a força e a perenidade do folclore dos povos.

Por quê? Porque os contos de fadas estão envolvido

Maravilhoso, um universo que detona a fantasia, partindo sempre de uma situação real, concreta, lidando com emoções que qualquer criança já viveu ... Porque se passam num lugar que é apenas esboçado, fora dos limites do tempo e do espaço, mas onde qualquer um pode  caminhar ... Porque as personagens são simples e colocadas em inúmeras situações diferentes, onde têm que buscar e encontrar uma resposta de importância fundamental, chamando a criança a percorrer e a achar junto uma resposta sua para o conflito ...  Porque todo esse processo é vivido através da fantasia, do imaginário, com intervenção de entidades fantásticas (bruxas, fadas, duendes, animais falantes, plantas sábias ... ).

domingo, 14 de abril de 2013

Telepatia


Telepatia (do grego τηλε, tele, "distância"; e πάθεια, patheia, "sentir ou sentimento") é definida na parapsicologia como a habilidade de adquirir informação acerca dos pensamentos, sentimentos ou atividades de outra pessoa [1] , sem o uso de ferramentas tais como a linguagem verbal, corporal, de sinais ou a escrita. O termo foi usado pela primeira vez em 1882 por Fredric W. H. Myers, fundador da Society for Psychical Research (Sociedade para Pesquisa Psíquica),[2] substituindo expressões como transferência de pensamento.[1] A telepatia é considerada uma forma de percepção extra-sensorial ou anomalia cognitiva,[3] e é freqüentemente relacionada a vários fenômenos paranormais tais como premonição, clarividência e empatia.

Embora muitos experimentos científicos sobre a telepatia tenham sido realizados, incluindo aqueles feitos recentemente por universidades respeitáveis nos Estados Unidos [carece de fontes] (alguns com resultados positivos), a existência da telepatia não é aceita pela maioria dos cientistas. Mesmo com todas pesquisas e estudos relativos aos assuntos psiônicos, as evidências existentes ainda não tem o peso (valor) suficiente para que seja aceita a existência do fenômeno, até que seja possível comprovação científica a respeito do mecanismo do fenômeno. Deve-se questionar, neste sentido, quais são os fatores que contribuem para que uma determinada teoria seja aceita enquanto científica e não outras. Em ciência, assim como em toda área do conhecimento, sempre estão em pauta interesses que escapam meramente do campo "científico", tais como interesses financeiros, econômicos, políticos e ideológicos.

A história da telepatia

Diferente da maioria das outras ocorrências aparentemente sobrenaturais, a menção da telepatia é bastante comum em textos históricos. Na Bíblia, por exemplo, alguns profetas são descritos como tendo a habilidade de ver o futuro (precognição), ou conhecer segredos íntimos das pessoas sem que as mesmas os tenham dito. Na Índia também existem diversos textos falando sobre a telepatia como uma sidhi, adquirida pela prática do ioga etc. Mas o conceito de receber e enviar mensagens entre pessoas parece ser algo relativamente moderno. Neste conceito existe um emissor e um ou vários receptores.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Como ter uma casa saudável, com boas energias


Mais do que bonita, mais do que sustentável, uma casa pode ser saudável. É o que defende um time de profissionais que se reuniu recentemente em São Paulo durante o III Congresso Internacional de Geobiologia e Biologia da Construção. Em foco, como o nome já diz, está a geobiologia, área que estuda o impacto do espaço sobre a qualidade de vida.

Como se fosse uma medicina do hábitat, pronta para diagnosticar e curar algumas patologias da construção, esse conceito faz a ponte entre a saúde e o local habitado. “De aspectos técnicos, como a distribuição da planta, a escolha dos materiais e os princípios da boa arquitetura, a fatores menos convencionais, como a poluição eletromagnética e a existência de fendas ou veios d’água subterrâneos, tudo afeta o morador”, explica o geobiólogo Allan Lopes, coordenador do evento.
Com base nisso, se você tem dificuldade para pegar no sono, vive estressado e ou não consegue se concentrar no escritório, é bom prestar atenção no teto que o abriga. Às vezes, o mal-estar vem de um projeto doente.

Efeitos na saúde

A explicação não é tão misteriosa assim. Em 1982, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o termo Síndrome do Edifício Enfermo para prédios em que cerca de 20% dos ocupantes apresentam sintomas como fadiga, dor de cabeça, tosse seca, coriza e ardor nos olhos – sinais que desaparecem quando as pessoas se afastam do local e dos poluentes químicos, físicos e microbiológicos resultantes da má conservação dos filtros do ar-condicionado, do acúmulo de substâncias tóxicas e dos ácaros dali.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

SOBRE O FACEBOOK - COMPARTILHEM


     Infelizmente, as coisas boas que uns fazem, outros aproveitam para fazer o mal.
   
     Esta semana, na televisão, houve reportagem todos os dias com Joaquín López Dóriga, jornalista mexicano, sobre o Facebook, o Hi5, Myspace, Sonico, Netlog, etc , e o perigo de seu uso.
 
     Veio uma reportagem diária no jornal MILÊNIO, sobre como os sequestradores têm como fonte de informação direta e confiável nos blogs do Facebook e do Hi5.
 
     Entrevistaram uns sequestradores, que dizem que entram na Rede e vêm os rostos, a casa, os carros, as fotos de viagem e sabem o nível social e econômico que têm os utilizadores. Na televisão, um deles declarou que antes investigavam muito para conhecer os candidatos a sequestros, mas que agora, com o Facebook, eles conseguem facilmente as informações, que pomos voluntariamente na Rede. Com isso, não se enganam e não têm que investigar onde vivem, que escola frequentam, para onde viajam, quem são os pais, irmãos e amigos.

sábado, 15 de setembro de 2012

The Carpenters - There's a kind of hush



BIOGRAFIA DE 
Karen Carpenter
Ela e seu irmão, Richard Carpenter, formaram a dupla The Carpenters. Karen sofria de anorexia nervosa e faleceu aos 32 anos em função das complicações decorrentes dessa doença. Ela é lembrada por muitos artistas como uma das melhores cantoras de todos os tempos. Madonna e K.D. Lang, entre outros, citaram-na como influência musical.
Karen nasceu em New HavenConnecticut, no nordeste dos Estados Unidos, filha de Harold Bertram Carpenter (1908-1988) e Agnes Reuwer Tatum (1915-1996). Seu irmão Richard desenvolveu um grande interesse pela música desde cedo, tornando-se um virtuose no piano. A família mudou-se em 1963 para Downey, subúrbio de Los AngelesCalifórnia, sede de váriasgravadoras, com o objetivo de facilitar a vida de Richard em sua carreira musical.
Quando Karen foi ao colégio em Downey, não gostava das aulas de educação física, então pediu ajuda a Richard para participar da banda do colégio. O condutor, ao receber o pedido de Richard, concordou e lhe deu um metalofone. Ela não gostava desse instrumento, e passou a admirar um colega que tocava na percussão, pedindo ao condutor para tocar na percussão também. A bateria lhe veio de forma natural, e ela praticava intensamente - muitas músicas da dupla têm a bateria tocada por Karen Carpenter, como resultado do esforço empreendido. Quando Karen tinha 17 anos, fez uma dieta sob supervisão médica e perdeu entre 9 e 11 kg.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O morgadio. Pesados deveres dos nobres


Das obrigações militares da nobreza decorre a maior parte dos seus hábitos.

O direito de morgadio vem em parte da necessidade de confiar ao mais forte a herança que ele deve garantir, muitas vezes pela espada. 

A lei de herança por masculinidade explica-se também dessa forma, pois só o homem pode assegurar a defesa de um torreão.

Por isso também, quando um feudo “cai em roca” (quando uma mulher é a única herdeira), o suserano sobre o qual recai a responsabilidade desse feudo, que ficou assim em estado de inferioridade, sente-se no dever de casá-la. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Como fazer: Maçã do amor ou outra fruta ( uva, morango, damasco)

A criançada vai amar ter em casa a sua maçã do amor. Eu pessoalmente, gosto mais dos morangos caramelados, ficam uma delícia!

Ingredientes:

8 maçãs firmes
4 xícaras de açúcar
1 xícara de água
2 colheres (sopa) de glucose de milho
1 colher (sopa) de corante vermelho para alimentos
palitos para sorvete

Modo de Preparo: 
Lave e seque muito bem as maçãs. Espete os palitos na parte superior das maçãs, ao lado do talinho. Unte uma pedra de mármore ou granito com óleo vegetal. Prepare a calda misturando bem o açúcar, água e glucose. Coloque em uma panela funda e pequena (pode ser em uma leiteira), tampe e levar ao fogo, fervendo tampada por 3 minutos. Retire a tampa e ferva por aproximadamente 10 minutos ou até atingir a temperatura de 130 graus (ou ponto de vidro, pode-se testar colocando algumas gotas da calda em um copo com água gelada). Retire do fogo e acrescente o corante e balance levemente a panela para colorir toda a calda. Coloque a panela com a calda em banho-maria e mergulhe as maçãs, uma a uma segurando-as pelos palitos. Levante e deixe escorrer o excesso, coloque para esfriar sobre uma pia de mármore untada. Deixe esfriar completamente.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Lei de Reforma do Congresso para 2012 (emenda da Constituição)





Lei de Reforma do Congresso (emenda da Constituição do Brasil)

1. O congressista será assalariado somente durante o mandato. E não terá  aposentadoria proveniente do mandato.

2. O Congresso contribui para o INSS. Toda a contribuição (passada, presente e futura) para o fundo atual de aposentadoria do Congresso passará para o regime do INSS imediatamente. O Congresso participa dos benefícios dentro do regime do INSS exatamente como todos outros brasileiros. O fundo de aposentadoria não pode ser usado para qualquer outra finalidade.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Gerontofilia


Atração sexual por parceiros muito mais velhos (com a idade de seus pais ou avós, por exemplo).
Segundo a enciclopédia Wikipédia, gerontofilia refere-se à atração sexual dos não-idosos pelos idosos. Pode ser a atração sexual de um homem jovem por uma mulher madura (graofilia ou anililagnia), ou de uma mulher jovem por um homem maduro. Pode ser uma atração sexual e erótica hétero ou homosexual. Muitas vezes se observa que tal relação, mais que uma imposição libidinosa, tem outras motivações, como interesse econômico, busca de proteção, carência afetiva, complexo de Édipo ou complexo de Electra etc.


sábado, 4 de junho de 2011

ENTREVISTAS CLÍNICAS, DIAGNÓSTICO PSICOLÓGICO


foto: Daniel Sese
O termo entrevista significa um encontro entre duas ou mais pessoas em um local pré-determinado para tratar de um determinado assunto.

Na entrevista psicológica, se relaciona a um pedido de ajuda feito a um profissional (psicólogo), sendo que a pessoa o faz, por encontrar-se num momento em que seu bem-estar emocional está ameaçado. Ou , quando o pedido é feito por insistência de outra pessoa, ou por encaminhamento de terceiros (amigos, médicos, professores, etc.).

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cyberbullying


O cyberbullying é um tipo de bullying melhorado. É a prática realizada através da internet que busca humilhar e ridicularizar os alunos, pessoas desconhecidas e também professores perante a sociedade virtual. Apesar de ser praticado de forma virtual, o cyberbullying tem preocupado pais e professores, pois através da internet os insultos se multiplicam rapidamente e ainda contribuem para contaminar outras pessoas que conheçem a vítima.


Os meios virtuais utilizados para disseminar difamações e calúnias são as comunidades, e-mails, torpedos, blogs e fotologs. Além de discriminar as pessoas, os autores são incapazes de se identificar, pois não são responsáveis o bastante para assumirem aquilo que fazem. É importante dizer que mesmo anônimos, os responsáveis pela calúnia sempre são descobertos.

Infelizmente os meios tecnológicos que, a priori, seriam para melhorar e facilitar a vida das pessoas em todas as áreas estão sendo utilizados para menosprezar e insultar outras pessoas. Não existe um tipo de pessoa específica para ser motivo de insultos, sendo que a invasão do e-mail ou a exposição de uma foto já é o bastante. Em relação a colegas de escola e professores, as difamações são intencionadas e visam mexer com o psicológico da pessoa, deixando-a abatida e desmoralizada perante os demais.

As pessoas que praticam o cyberbullying são normalmente adolescentes sem limites, insensíveis, insensatos, inconseqüentes e empáticos. Apesar de gostarem da sensação que é causada ao destruir outra pessoa, os praticantes podem ser processados por calúnia e difamação, sendo obrigados a disponibilizar uma considerável indenização.

Por Gabriela Cabral

Fonte: Equipe Brasil Escola

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

MITOS SEXUAIS MASCULINOS - Parte I

* Dr. Oswaldo M. Rodrigues Jr

A maioria dos homens, independentemente da inteligência e educação tem seu comportamento sexual afetado negativamente por mitos ou falsas idéias sobre sexo. Por causa disso muita infelicidade sexual cai sobre estes homens, com problemas, inadequações e disfunções sexuais.

É quase impossível para um homem crescer em nossa sociedade sem assimilar um grande número de idéias que dirigem e dirigirão sua vida pelos anos afora. Muitas dessas idéias são até ridículas ou são falsas concepções sobre o sexo e a vida sexual. De qualquer forma, muitas destas idéias ou conceitos são assimilados conjuntamente ao sentir-se homem. Desta forma anexado à identidade masculina, as expressões sexuais parecem ser parte inerente do ser homem e trazem muita dificuldade em serem discutidas racionalmente, visto que foram assimiladas e aprendidas quando não existia pensamento crítico na criança.

O primeiro mito sobre o sexo do homem é o de que homem não tem nenhum defeito na área sexual. Em outros campos do comportamento humano, afirmações assim podem até ser encaradas como loucura! Na realidade, a maioria dos homens, se pudessem ser honestos consigo mesmos, admitiriam que sentem alguma inadequação sexual. Estas inadequações acontecem devido à comparação entre o que o homem realmente é e o que ele sente que deveria ser ou desejaria ser.

O condicionamento dos homens se dá desde a mais tenra infância, quando ele é ensinado e aprende (também por imitação) como um "verdadeiro macho" deve ser. E sexualmente o homem aprende que deverá ser um super-homem sexual, um maravilhoso atleta que saciará sempre e de todas as formas toda e qualquer mulher durante toda a sua vida!

E como são os mitos sexuais mais comuns ao homem?

A seguir vamos desdobrar os piores mitos que tanto fazem sofrer homens, às vezes calados, às vezes conseguindo vencer preconceitos e nos procurar, aos especialistas em sexualidade, em nossos consultórios.

MITOS SOBRE O PÊNIS

O pênis por ser um órgão de prazer para o homem, e ter sido conhecido desde sua infância como a parte mais importante de seu corpo, é a que mais traz mitos sexuais.

Mito 1 - Quanto maior, melhor...

A maioria dos homens, até finalmente crescerem ou desistirem deste pensamento, é insatisfeita com o tamanho do próprio pênis. A dura realidade é‚ que o que interessa mesmo é como o homem usa este pênis e quanto prazer este realmente dá a este homem. Na verdade, o tamanho do pênis não é tão importante para o prazer, melhor dizendo, ele não é, em nada responsável pelo prazer do homem ou da mulher. Claro que existem exceções para o tamanho. Um pênis não pode ser muito grande (por exemplo acima de 20 cm, ou como aquele famoso negro americano com seus 45 cm de falo sem rigidez), mas também não pode ser muito pequeno (menor do que os 5 cm em ereção). O importante quanto ao tamanho é poder penetrar a parceria sexual (se este é o interesse da pessoa ou casal). No geral as mulheres não prestam muita atenção para o tamanho do pênis. O que conta para a mulher é o como o homem sabe fazer amor, os aspectos emocionais, aquilo que para elas é literalmente fazer amor! O carinho que acompanha o sexo, o antes e o depois com atenção e compreensão. Claro que também deve importar o prazer do orgasmo, mas nós homens não somos os reais responsáveis pelo prazer orgásmico da mulher, apenas ajudamos...

Se o homem preocupa-se com o tamanho do pênis, isto interferirá com a satisfação sexual, e o pior, com seu desempenho sexual, com sua ereção ou capacidade de segurar a ejaculação. Poderá chegar ao pior: a impotência ou o gozo rápido sem controle.

A preocupação com o tamanho do pênis é uma forma neurótica de não prestar atenção no que interessa do sexo: o relacionamento gostoso com quem se deseja!

Embora cada homem que tenha estas preocupações tenha medo de admitir, este é um distúrbio neurótico. Neurótico porque impede o objetivo final e mais importante que é o relacionamento sexual a dois e a obtenção de prazer. A maioria dos homens que nos procuram com esta queixa é constituída de pessoas que evitam o sexo, Ter namorada ou se aproximar de mulheres. A justificativa é de que seriam rejeitados. Muitos sequer experimentaram aproximar-se... e isto é um comportamento neurótico, gostem ou não!

A fantasia de ter um pênis maior só leva à angústia e sofrimento que impede o homem de ser feliz e procurar um relacionamento humano e satisfatório.

Há muito pouco a fazer com o pênis e seu tamanho. O melhor é aprender a como alcançar de dar prazer com o que temos. Isto ‚ real, o resto ‚ fantasia!

Mito 2 - Um homem faz sexo a qualquer momento que queira.

Há partes do corpo que fazem o que mandamos, mas existem partes do corpo que não fazem do jeito que ordenamos. Quando queremos levantar o braço, é só levantar. O pênis não obedece como o braço, pois é diferente. Assim como o funcionamento dos pulmões e fígado ou rins, o pênis não é comandado pela mente de forma direta.

Um homem não pode ter uma ereção a qualquer momento. A maioria dos homens não terá ereções em situações que serão constrangedoras, por exemplo, estar exposto numa vitrine de uma loja de departamentos, nu, esperando ter uma ereção; pois, a maioria dos homens já não conseguiria...

O que é difícil de acreditar é que nosso corpo não é dirigido nesta ora. A ereção pode ser facilitada, mas não controlada totalmente pelo pensamento. Mas o pensamento pode atrapalhar a ereção!

O pênis não entrará em ereção se não acontecerem coisas que facilitem esta ereção. Da mesma forma que um carro precisa de uma bateria para o motor pegar, o pênis precisa de alguma coisa dentro (e fora) de nós que permita que ele entre em ereção.

O que será preciso para acontecer a ereção dependerá de cada homem e mudará bastante com a idade. Sempre teremos que aprender nossas possibilidades.
Mito 3 - Sem ereção não há sexo.

Quando temos este pensamento na cabeça, não haverá nem ereção, e é isto o que acontece com muitos homens impotentes.

Claro que o sexo pode existir sem a ereção. Nós homens é que não aprendemos a lidar com isso e assim facilitar nossa ereção de acontecer.

O sexo sempre irá acontecer entre um casal onde há o amor. Com quem amamos o sexo tem várias formas, e um casal precisa destas várias formas de expressão do sexo. Sem estas outras formas de expressão sexual, um casal provavelmente deixará de existir e o homem nunca saberá o que aconteceu. Mas isto é quase impossível para alguns homens, e a insistência com a ereção, poderá acabar com tudo, pois sem a ereção este homem, tão preocupado, não dará atenção às necessidades e desejos de carinhos de sua amada (?). Esta desatenção não será percebida pelo homem, quem só considerará que a mulher não está sendo servida, mesmo que ela se satisfizesse com os carinhos e amor que ele pudesse oferecer...

A única utilidade da ereção é a penetração. O homem não precisa nem da ereção para ter seu prazer. A ejaculação pode acontecer sem ereção!

Também a mulher não precisa necessariamente da ereção do pênis para ter seu orgasmo (muitas nem mesmo sabem tê-los, então nestes casos tanto faz se a ereção tem ou não papel no orgasmo da mulher...)

Fonte: Texto de : Dr. Oswaldo M. Rodrigues Jr. - Psicólogo Clínico, especialista em Sexualidade Humana e fundador do Instituto Paulista de Sexualidade.

domingo, 30 de maio de 2010

Coreografia

A coreografia é a arte da composição estética dos movimentos corporais, cuja origem se dá quando surge a necessidade de apresentar uma idéia ou sentimento a um público, através de movimentos corporais expressivos, passando de ritualísticos para cênicos ou espetaculares. A arte de coreografar se desenvolveu, paralelamente com a arte teatral, quando vai deixando de ser um ato de catarse e de elo com o divino, para servir de diversão e propagação cultural.


Os étimos gregos khorus (círculo) e graphe (escrita, representação), fundamentam a palavra coreografia. O elemento círculo é uma referência as danças circulares e a orquestra, local onde o coro teatral grego dançava. Coreografar é desenhar/gravar o espaço com o movimento corporal.

O profissional que cria as coreografias é denominado coreógrafo e o que registra esses movimentos graficamente é o coreólogo. A coreologia é a escrita da dança, que pode ser em pentagrama (partitura), como no Sistema Benesh ou em símbolos próprios de uma metodologia como, por exemplo, no método Laban Notation. Toda linguagem artística possui elementos estéticos específicos, assim como nas linguagens das Artes Visuais, do Teatro e da Música, a linguagem da Dança também possui seus códigos fundamentais.

A montagem de uma coreografia exige do artista um domínio dos elementos estéticos já codificados por diversos estudiosos da dança, como o espaço, o tempo, o peso e a fluência, em relação ao corpo em movimento. Numa coreografia esses elementos básicos dialogam entre si podendo construir outros sentidos causadores de diferentes sensações no espectador, pois de acordo com a composição realizada poderá obter diferentes resultados, como: equilíbrio, movimento, fragmentação, linearidade, etc. O autor pode ainda contar com os recursos específicos das outras linguagens artísticas, adicionando maior dramaticidade, alegria, surpresa, espanto, enfim, diferentes emoções quando utilizando adequadamente os elementos da música, das artes visuais, que muito tem contribuído para os cenários, figurinos e adereços, e ainda, elementos do teatro que vem cada vez mais enriquecendo a cena contemporânea com as performances de dança/teatro e as preparações dos artistas bailarinos com suas técnicas próprias do universo do teatro.

A coreografia pode ser criada como uma temática isolada, para ser apresentada de forma independente, e também pode ser produzida como parte integrante de um show musical, uma ópera, uma peça de teatro, um programa de televisão, e assim por diante. No meio acadêmico a coreografia também possui a denominação de balé, mesmo não sendo uma dança clássica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
FARO, Antônio José, SAMPAIO, Luiz Paulo. Dicionário de Ballet e Dança. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.
LABAN, Rudolf. Dança Educativa Moderna. São Paulo: Ícone. 1990.
OSSANA, Paulina. A Educação Pela Dança. São Paulo: Summus, 1988.
VASCONCELLOS, Luiz Paulo. Dicionário de Teatro. Porto Alegre: L&PM, 2001.

Fonte: Infoescola.com

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Mulheres da Paz

O Projeto Mulheres da Paz foi criado no âmbito do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). O Projeto tem como objetivo incentivar Mulheres, por meio de transferência direta, a construir e fortalecer redes sociais de prevenção e enfrentamento às violências que envolvem jovens expostos à violência.

O Projeto é amparado pela Lei nº 11.530, de 24 de outubro de 2007, alterado pela Lei nº 11.707 e regulamentado pelo Decreto nº 6.490, ambos de 19 de junho de 2008, e integra as ações do Pronasci na construção coletiva de um novo paradigma de segurança pública entre Governo Federal e as Unidades da Federação.

Para participar do Projeto, a Mulher deverá passar por um processo de seleção e de capacitação promovido pelas Unidades da Federação pactuadas com o Pronasci.

Público-alvo
Mulheres das Regiões mais atingidas pela violência e criminalidade que compõem o foco territorial do Pronasci

Fonte: http://portal.mj.gov.br/pronasci

Mulher

Na história, a luta por direitos das mulheres tem marco no dia 8 de março de 1857, quando uma rebelião de operárias norte-americanas (NY) colocou em pauta reivindicações por melhores condições de trabalho, redução na carga horária diária, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho, dentre outros direitos.

Os desejos daquelas trabalhadoras se tornaram pauta de debates, discussões e políticas em todo o mundo, garantindo avanços nas variadas instâncias da sociedade.

Para as mulheres brasileiras, por exemplo, a década de 30 foi histórica, quando garantiram o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A lenda do filtro de sonhos



Os sonhos desempenhavam um papel fundamental na vida dos Ojibwe (índios americanos). Para este povo que vivia na região dos Grandes Lagos americanos e que hoje também se espalha por outras regiões do Novo México, aprender a decifrar as mensagens reveladas nos sonhos era a tarefa mais importante que as pessoas tinham durante sua passagem pela Terra. Por causa disto, o filtro de sonhos era uma ferramenta essencial.


O filtro de sonhos, na verdade, não é um filtro, é uma teia. Os Ojibwe (índios americanos) acreditam que, quando a noite cai, o ar se enche de sonhos, bons e ruins. Alguns destes sonhos, mesmo sendo pesadelos, podem conter uma mensagem importante de Manitu (Deus) para nós. Então, na verdade, estes sonhos são bons sonhos. Mas existem muitos outros sonhos e energias ruins flutuando à nossa volta e que não são nossos. Estes é que podem nos fazer mal. É justamente para separar estes sonhos que existe o filtro de sonhos.

Os sonhos bons, sabendo exatamente aonde ir, conseguem passar pelo buraco central da teia, ao passo que os sonhos ruins ficam perdidos e acabam presos nos fios. Quando os primeiros raios de sol surgem, os sonhos maus desaparecem.

Como a Aranha deu a teia de sonhos para os seres humanos

Existem muitas histórias relacionadas com aranhas e Mulheres-Aranhas entre as várias nações de índios americanos. Em muitas destas tradições, por exemplo, a Mulher-Aranha é um personagem fundamental e sábio, ora mensageira do Sol, ora avó do próprio Sol e organizadora da vida na Terra. Existem várias lendas relacionadas com os filtros de sonhos. Esta que escolhemos é apenas uma das versões.

"Uma aranha fiava sua teia próximo à cama da avó (Nokomi). Todos os dias ela observava a aranha trabalhar. Alguns dias depois, o neto entrou e, ao ver a aranha na teia, pegou uma pedra para matá-la. Mas a avó não deixou. O garoto achou estranho, mas respeitou o seu desejo. A velha mulher voltou-se para observar mais uma vez o trabalho do animal e, então, a aranha falou: “Obrigada por salvar minha vida. Vou dar-lhe um presente por isso. Na próxima Lua nova vou fiar uma teia na sua janela. Quero que você observe com atenção e aprenda como tecer os fios. Porque esta teia vai servir para capturar todos os maus sonhos e as energias ruins. O pequeno furo no centro vai deixar passar os bons sonhos e fazê-los chegarem até você.


Quando a Lua chegou, a avó viu a aranha tecer sua teia mágica e, agradecida, não cabia em si de felicidade pelo maravilhoso presente: “Aprenda”, dizia a aranha. Finalmente, exausta, a avó dormiu. Quando os primeiros raios de sol surgiram no céu, ela acordou e viu a teia brilhando como jóia graças às gotas de orvalho capturadas nos fios. A brisa trouxe penas de pomba que também ficaram presas na teia, dançando alegremente e, por último, um corvo pousou na teia e deixou uma longa pena pendurada. Por entre as malhas da teia, o Pai Sol sorria alegremente. E a avó, feliz, ensinou todos da tribo a fazerem os filtros de sonhos. E até hoje eles vêm afastando os pesadelos de muita gente. Quem sabe não vai funcionar com você também?"

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

DOUTORES PALHAÇOS

Voltado para estudantes de teatro e atores profissionais que queiram se especializar na linguagem do palhaço, o curso tem módulos com duração de três a quatro meses, para especialização, desenvolvimento e treino de habilidades específicas. Se você também é ator ou estudante de artes cênicas e tem interesse em aprofundar seus estudos da linguagem do palhaço, fique atento ao site, twitter e blog dos Doutores para se informar sobre novas turmas. Escola de Palhaços dos Doutores da Alegria - São Paulo Rua Alves Guimarães, 73 Pinheiros São Paulo - SP ------------------------------------------------------------------------------- Doutores da Alegria - O engraçado é que é sério. Uso infantil Composição Humor..........................................................................100% Formação artística profissional e contínua.......................................................................100% Sistematização e disponibilização de conhecimento - Centro de Estudos......................100% Administração e captação de recursos eficientes..................................................................100% Informações históricas Em 1986, Michael Christensen, um palhaço americano, diretor do Big Apple Circus de Nova Iorque, apresentava-se numa comemoração num hospital daquela cidade, quando pediu para visitar as crianças internadas que não puderam participar do evento. Improvisando, substituiu as imagens da internação por outras alegres e engraçadas. Essa foi a semente da Clown Care Unit™, grupo de artistas especialmente treinados para levar alegria a crianças internadas em hospitais de Nova Iorque. Em 1988 Wellington Nogueira passou a integrar a trupe americana. Voltando ao Brasil, em 1991, resolveu tentar aqui um projeto parecido, enquanto ex-colegas faziam o mesmo na França (Le Rire Medecin) e Alemanha (Die Klown Doktoren). Os preparativos deram um trabalho danado, mas valeu: em setembro daquele ano, numa luminosa iniciativa do Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em São Paulo (hoje Hospital da Criança), teve início nosso programa. Informações técnicas Nossa missão é ser uma organização proeminentemente dedicada a levar alegria a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde, através da arte do palhaço, nutrindo esta forma de expressão como meio de enriquecimento da experiência humana. Somos uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que realiza cerca de 75 mil visitas por ano a crianças internadas em hospitais de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte. Indicações Traumas ligados à hospitalização infantil: perda de controle sobre o corpo e a vida; atitudes negativas em relação às doenças e à recuperação. Contra-indicações Não há. Posologia A besteirologia deve ser aplicada diariamente até que o paciente não saiba mais como ficar triste. É remédio para a vida toda. Contatos Doutores da Alegria São Paulo Doutores da Alegria Recife Doutores da Alegria Belo Horizonte Centro de Estudos Palestras Contatos artísticos Assessoria de Imprensa Nossos Telefones: São Paulo / (11) 3061.5523 Recife / (81) 3466.2373 / (81) 3463.0866 Belo Horizonte / (31) 3889.9646 Assessoria de Imprensa / (11) 2892-3118 / (11) 2892-4679

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Soren Aabye Kierkegaard

Pai da corrente filosófica do Existencialismo. A época em que viveu o filósofo dinamarquês Soren Aabye Kierkegaard foi, inicialmente, um período de grande crise política e militar sofrida por seu país, em conseqüência das guerras napoleônicas. Somente na idade madura do filósofo, a Dinamarca veio a sair do atraso econômico causado pelos conflitos. Graças a uma política liberal que aboliu o trabalho obrigatório do camponês para os nobres seus senhores (regime medieval de servidão), e aboliu a monarquia absolutista, o país foi, aos poucos, foi se transformando em país industrializado e não apenas agrícola. Uma juventude universitária liderada pelo estudante Martin Lehmann, exigiu essas reformas liberais, e uma geração de intelectuais jovens, entre eles Kierkegaard, motivou que os meados dos anos 1800 fossem também chamados "idade de ouro" da literatura dinamarquesa. Kierkegaard viveu a maior parte de sua vida no reinado de Frederico VI, porém o período mais produtivo de sua maturidade transcorreu sob os reinados sucessivos de Christian VIII e Frederico VII. Vida Infância Soren Aabye Kierkegaard nasceu em Copenhague, Dinamarca, a 5 de maio de 1813 e cresceu num ambiente de devoção religiosa luterana. Seus pais procediam da península da Jutlândia, a parte continental da Dinamarca. Michael Pedersen Kierkegaard, o pai de Soren, era um homem de vontade forte, argüidor e argumentativo, autodidata por meio de muitas leituras, e muito voltado para questões espirituais. De origem humilde, porém havia se tornado rico e influente em seu meio social. Sua casa era ponto de reunião de líderes religiosos e políticos do seu tempo. Pertencia à corrente religiosa dos pietistas de Herrnhuter. Sofria ataques periódicos de depressão porque, devido a uma blasfêmia proferida quando jovem, não acreditava na salvação de sua alma. A mãe de Kierkegaard, Anne, foi a segunda esposa de seu pai, o qual não tivera filhos da primeira mulher. Seu ingresso na casa foi como uma jovem empregada doméstica, que o pai de Kierkegaard engravidou antes de desposar, fato que contribuiu para aumentar ainda mais para ele o peso de suas culpas. Enquanto Kierkegaard escreveu muito em seus diários a respeito do pai, ele raramente escreveu sobre sua mãe. Ela morreu quando Kierkegaard tinha 21 anos. Formação A influência do pai sobre personalidade de Kierkegaard e sua obra tem sido sempre salientada. Ele foi o filho mais novo de sete irmãos. Quando nasceu, seu pai tinha 56 anos e sua mãe 45, razão de ele dizer que era um filho da velhice. Uma importante anotação que Kierkegaard fez em seu diário, quando tinha vinte e cinco anos, a respeito do que ele chamou "Grande terremoto", revela o quanto a influência de seu pai foi perturbadora, em sua vida. Refere-se ao abalo que sofreu ao compreender o que acontecera ao pai e as conseqüências do acontecido para toda a família. Quando jovem, seu pai fora ajudante de administrador de uma fazenda na Jutlândia. Revoltado com as privações de sua vida de camponês, subiu ao alto de uma colina e amaldiçoou solenemente a Deus. Logo depois um tio seu, negociante de artigos de lã em Copenhague, chamou-o para o negócio. A partir daí o pai havia prosperado como negociante de roupas, tornando-se um homem rico: dono de 5 casas na capital que milagrosamente escaparam do bombardeio da cidade pelos ingleses em 1807. Também salvou-se da recessão e falência do estado em 1813, ano do nascimento de Soren, porque investiu em títulos de seguro tudo que tinha em dinheiro. Foi tão bem sucedido que pode aposentar-se com apenas quarenta anos. Viveu confortavelmente até os 82 anos, quando faleceu. No entanto, em suas crises de melancolia, sentia que o favorecimento do seu sucesso e sua longevidade haviam sido uma ironia, e na verdade vingança de Deus. Cinco de seus filhos morreram prematuramente, incluindo sua primeira esposa, e estava certo de que os dois filhos restantes haveriam de morrer quando chegassem à idade da morte de Cristo. Como o pai, Soren Aabye sofria de persistente melancolia. Pesava sobre a família o temor das conseqüências do pecado do pai, e lhe pareceu que a morte de seus cinco irmãos era sinal de vingança divina, e que ele próprio haveria de morrer muito jovem. Um sinal desse temor foi o quanto Kierkegaard escreveu, prolificamente, no ano que antecedeu a marca de seus trinta e quatro anos de idade. Acreditava que a família estava amaldiçoada, e que seu pai haveria de ministrar os últimos sacramentos a todos os filhos. Tinha saúde precária e por isso fora rejeitado pelo exército como incapaz. Rompeu relações com o pai, vindo a reconciliar-se com ele só bem mais tarde, pouco antes de perde-lo em 1838. Desanimado, rejeitou a vida burguesa que o pai lhe havia preparado e que seu irmão mais velho, o pastor Peter, abraçou. Misturou-se aos jovens de seu tempo e entregou-se a uma vida dissipada. Ele porém não herdou apenas a melancolia do pai, seu sentimento de culpa e ansiedade, sua religiosidade pietista escrupulosa, mas herdou também seu talento para argumentação filosófica e uma imaginação criativa. Foi para a universidade de Copenhague estudar teologia, mas mudou para filosofia. Sofreu influência dos prof. Paul Martin Moller e Frederik Christian Sibbern: ambos detestavam filosofia sistemática e usavam romances de ficção para expor seus pensamentos filosóficos. Juntou-se aos intelectuais do romantismo, os quais buscavam viver intensamente seus sentimentos, em contraste com a superficialidade e rotina tediosa da vida burguesa. Porém, sofreu com os críticos literários que o ridicularizavam. Tudo isto confirmou os ensinamentos do pai, que giravam em torno dos sofrimentos de Cristo, de que a verdade (o próprio Cristo) se estabelece mediante sofrimentos, de que o mundo é governado por mentiras e injustiças. A mágoa lhe trouxe o grande desgosto pela humanidade de que estão impregnados quase todos os seus trabalhos. A morte do pai (1838) ensejou grande mudança no comportamento de Kierkegaard, a partir de então marcado por súbito amadurecimento. O velho deixou para os dois filhos sobreviventes, Soren Aabye e seu irmão mais velho, Peter, uma fortuna considerável, que permitiu ao filósofo passar o resto da vida escrevendo, sem qualquer preocupação financeira. Então ele retornou aos estudos de teologia na universidade de Copenhague e dois anos depois concluiu o mestrado. Maturidade Kierkegaard viveu solteiro e um dos grandes acontecimento de sua vida foi justamente romper um noivado, ao mesmo tempo que a grandeza de sua obra nasceu praticamente das racionalizações filosóficas e românticas formuladas por ele para justificar para si mesmo e para a sociedade sua renúncia. Ele conheceu em 1837, Regine Olsen (1822-1904), em casa de amigos que fora visitar. Ela pertencia a uma família abastada de Copenhague e tinha 14 anos, idade núbil para as moças daquela época, e Kierkegaard não tinha como rejeitá-la, face ao interesse que despertou na jovem. Viu-se levado ao noivado três anos depois, em 1840, um evento com grande repercussão devido à grande projeção social de sua família e da família de sua noiva. Quando não suportou mais a situação, Kierkegaard rompeu o noivado subitamente e embarcou para a Alemanha. Porém, procurou fazer que todos pensassem que ele fora rejeitado por Regina, a fim de que, segundo ele, a reputação da noiva nada sofresse. Ficou seis meses em Berlim. Em uma das referências que faz ao seu caso com Regine, diz: "Se eu houvesse explicado as coisas para ela, eu teria que lhe ensinar coisas horríveis, meu relacionamento com meu pai, sua melancolia (devido à maldição), a noite eterna que me cobre, meu desespero, luxúria, e excessos"...etc. Porém não muito depois Kierkegaard ficou sabendo que Regine estava noiva de Johan Frederik Schlegel (1817-1896), que tinha sido instrutor dela. De repente Kierkegaard viu que nada, com respeito à aquele caso, tinha a importância que ele pensava ter. Em 1854, um ano antes da morte de Kierkegaard, o casal mudou-se para as Índias Ocidentais Dinamarquesas onde Schlegel foi governador. O filósofo, quando morreu em 1855, estava já pobre. Mas o que lhe restava deixou para Regina. Em Berlim Kierkegaard assistiu as aulas de Friedrich Wilhelm Joseph Schelling (1775-1854). Ele maravilhou-se com os brilhantes ataques de Schelling ao hegelianismo então em moda. Obras Em suas obras, Kierkegaard lançou os fundamentos do existencialismo a corrente que depois receberia a contribuição de Heidegger e Sartre, e fez vasto uso de pseudônimos para uma finalidade muito especial: eles representam, não ele próprio, mas personagens com pontos de vista e atitudes próprias. Estabelece uma dialética entre esses personagens, ou seja, entre dois ou mais pseudônimos seus. Deste modo, um livro assinado com um pseudônimo responde a outro livro, assinado com outro pseudônimo. O Pseudônimo Johannes Climacus trata do dilema entre a dúvida e a fé. Vigilius Haufniensis ocupa-se dos aspectos psicológicos do pecado e da ansiedade. Johannes de Silentio e Constantin Constantius ocupam-se da ética, a partir dos aspectos envolvidos no relacionamento de Kierkegaard com Regine Olsen. Anti-Climacus é o cristão ideal, etc. O seu propósito não era o anonimato mas desvincular sua personalidade dos assuntos polêmicos de que tratava. Os escritos de Kierkegaard, consignados ao período de sua juventude (1834-1842) e depois impressos, incluem um artigo sobre a emancipação da mulher, outro sobre a liberdade de impressa escrito para a Liga dos Estudantes, e principalmente sua primeira obra publicada: "Dos papeis de alguém ainda vivo". Na relação a seguir, a tradução dos títulos para o português foi feita a partir das versões em inglês. São ainda obras desse período: Om Begrebet Ironi med stadigt Hensyn til Socrates ("O Conceito de ironia, com referência continua até Sócrates"), 1841. Foi sua tese e o assunto é, na primeira parte, a ironia de Sócrates - como aparece em Platão -, de Xenofonte e de Aristofanes, com uma parte sobre Hegel; e na segunda parte, a ironia em Fichte, von Schlegel, e outros. "Notas das aulas de Schelling em Berlim" (1841-42) que são anotações de diário sobre seus estudos na Alemanha, publicadas postumamente. "Confissão pública", 1842, que apareceu com seu próprio nome desautorizando boatos de que era o autor de artigos assinados com pseudônimos. Ele era de fato o autor, mas era essencial para a dialética autoral que queria criar, que se desvinculasse da autoria desses artigos. Enten-Eller. Et Livs-Fragment: Forste Deel, indeholdende A."s Papirer ("Ou.../ou: Um fragmento de vida: Primeira Parte, contendo os papeis de A") e Enten-Eller. Et Livs-Fragment: Anden Deel, indeholdende B."s Papirer, Breve til B, ("Ou.../ou: Um fragmento de vida: Segunda Parte, contendo os papeis de B, Cartas para B"), são de 1843. As duas partes da obra referem-se aos dois tipos de vida que Kierkegaard concebe: estética e ética. A primeira parte é uma coleção de trabalhos apresentando vários pontos de vista estéticos. A parte segunda é sobre o casamento como uma expressão do estágio ético. "Victor Eremita" é o editor das duas partes as quais, têm, cada uma, seu próprio autor. "A", o Jovem, é o autor da primeira parte, e "B", ou "Juís William", o autor da segunda parte. Kierkegaard tomou cuidados especiais para que o público não soubesse que era ele o autor, ao ponto de fazer os originais serem copiados por mãos diferentes, de modo que os empregados da gráfica não o identificassem pela caligrafia. Esmerando-se em extremo nessa farsa, publicou, uma semana após o lançamento do livro, um artigo seu no "A Pátria",com o pseudônimo "A. F." onde ele próprio indaga "Quem é o autor de Ou.../Ou...?" São também de 1843: "Uma palavra de Agradecimento ao Professor Heiberg", por Victor Eremita. Aquele era uma grande figura da literatura na Dinamarca; "Pequena Explicação", um pequeno artigo escrito também em referencia a pseudônimos por ele adotados, tal como "Quem é o autor de Ou.../Ou...?" e "Confissão Pública". Johannes Climacus, eller De omnibus dubitandum est. En Fortælling ("Johannes Climacus, ou de omnibus dubitandum est. Uma narrativa"), também de 1843, de publicação póstuma, é um trabalho filosófico em que "Johanes Climacus", na sua busca da verdade filosófica, duvida de tudo, explorando o modelo cartesiano e hegeliano. "Johannes Climacus" será também o autor de ("Fragmentos filosóficos") e a outra obra vinculada, ("Post-scriptum não científico conclusivo"). Este pseudônimo representa a autoria dos maiores trabalhos filosóficos de Kierkegaard. Em 1843 também inicia a série Atten Opbyggelige Taler ("Dezoito Discursos edificantes") que irá de 1843-45. Está dividido em três seções. A primeira contem o popular "Pureza do Coração é querer uma coisa"; a segunda é "O que aprendemos dos lírios do campo e das aves do céu"; a terceira é "O evangelho dos sofrimentos". Foi publicado por partes: Duas em 1843; três, em 1843; quatro, em 1843; duas, em 1844; Três, em 1844; Quatro, em 1844) Frygt og Bæven: Dialectisk Lyrik ("Temor e Tremor: um lírico dialético"), também de 1843. O pseudônimo é "Johannes de Silentio". Nesta obra Kierkegaard trata do seu rompimento com Regine na mesma perspectiva em que vê o sacrifício de Abraão e Isaac: obediência a um dever, mas que exige um ato não ético. Nesta perspectiva Kierkegaard aborda uma interessante questão: um julgamento moral pode ser suspenso em virtude de um poder maior. Ele exemplifica com o episódio em que Abraão recebe de Deus a ordem de matar Isaac. ("Temor e Tremor") (1843). O problema que ele coloca é se existem situações nas quais a ética pode ser suspensa por uma autoridade maior, Deus, que é a essência de tudo que é ético. Gjentagelsen: Et Forsog i den experimenterende Psychologi ("Repetição, uma especulação em psicologia experimental"). De 1843, é uma narrativa filosófica com considerações a respeito da impossibilidade do compromisso entre dois amantes, situação como a criada por ele próprio com sua noiva Regine Olsen. O pseudônimo é "Constantin Constantius", um poeta que escreve sobre o estágio ético, como um jovem amante que só pode amar sua amada depois deixá-la e somente "poeticamente". Philosophiske Smuler eller Smule Philosophi ("Fragmentos filosóficos, ou um fragmento de filosofia"), Johannes Climacus, é de 1844. Kierkegaard nesta obra inicia a abordagem de um tema que irá concluir em "O conceito de ansiedade". É uma tentativa de apresentar o cristianismo como deveria ser para que tenha algum sentido. Busca particularmente apresentar o cristianismo como uma forma de existência que pressupõe a vontade livre, sem a quaql tudo fica sem sentido. Begrebet angest. En simpel psychologisk-paapegende Overveielse i Retning af det dogmatiske Problem om Arvesynden ("Conceito de Angustia: uma simples deliberação psicologicamente orientadora a respeito do problema dogmático do pecado original"), de 1844, no qual Kierkegaard examina a doutrina cristã do pecado original e sua relação com a angústia e ansiedade. A liberdade causa ansiedade. Vigilius Haufniensis é o autor; Haufniensis significa "vigilante", no caso, da cidade de Copenhague, como se Kierkegaard se sentisse responsável pela guarda da sua cidade aparentemente sob todos os aspectos de seu bem estar. Forord. Morskabslæsning for enkelte Stænder efter Tid og Leilighed ("Prefácios: leitura leve para pessoas em vários estados de acordo com o tempo e a oportunidade"), Nicolaus Notabene, foi também publicado em 1844. Uma série de ensaios e críticas satíricas visando o sociedade literária de Copenhague, principalmente a figura de J. L. Heiberg. São oito prefácios referentes a oito trabalhos não existentes. "Nicolaus Notabene", um personagem pedante, é o autor. Tre Taler ved tænkte Leiligheder ("Três Discursos sobre ocasiões imaginárias"), de 1845. Este trabalho acompanhou o Stadier paa livets vei ("Estágios no caminho da vida"). Cada um dos três discursos representa os três estágios ou condições de existência: a estética, a ética e a religiosa: "Um confissão", "Um casamento", e "Ao lado de uma sepultura". Stadier paa Livets Vei. Studier af Forskjellige. Sammenbragte, befordrede til Trykken og udgivet af Hilarius Bogbinder ("Estágios no caminho da vida: estudos por várias pessoas, compilado, encaminhado à imprensa, e publicado por Hilarious Bookbinder") É um complemento a ("Ou.../Ou...") de 1845, e discute a mesma questão do estético e do ético, acrescentando porém o estágio religioso da existência. O editor é "Hilarius Bookbinder" A primeira parte, chamada "In Vino Veritas" ou "O banquete," é assinada por "William Afham" - Afham significa "por si mesmo" e está calcada no Symposium de Platão: trata dos mesmos assuntos -- amor, Eros, sexo, mulheres -- com um amargo sarcasmo e profundo desdém pelas mulheres em geral. "Frater Taciturnus" assina o texto do estágio religioso. "Uma explicação e um pouco mais", de 1845, pequeno artigo que, como "Uma pequena Explicação" e "Quem é o autor de Ou.../Ou..." é outra tentativa de Kierkegaard de guardar distância da autoria de seus trabalhos. En flygtig Bemærkning betræffende en Enkelthed i Don Juan ("Uma observação superficial sobre um detalhe em Don Giovanni"). É um artigo publicado no jornal A pátria em 1845 no qual volta ao assunto relativo à ópera Dom Giovanni de Mozart, tratado inicialmente no ("Ou.../Ou...").,. O autor é "A", que foi o autor de um artigo muito anterior ("Uma outra defesa das grandes habilidades da mulher"). Afsluttende Uvidenskabelig Efterskrift til de philosophiske Smuler. Mimisk-pathetisk-dialektisk Sammenskrift, Existentielt Indlæg ("Post-scriptum não científico conclusivo ao Fragmentos Filosóficos. Uma compilação Mímico-patético-dialética, uma contribuição existencial"), de 1846, faz a abordagem subjetiva do conhecimento. Kierkegaar novamente sustenta a necessidade de se aproximar da verdade subjetivamente, porém sem negar a verdade objetiva, apenas dizendo que a verdade objetiva somente pode ser conhecida e apossada subjetivamente. Como o título anuncia, é uma continuação ao "Fragmentos Filosóficos". Saiu assinado por Johannes Climacus. "A atividade de um esteticista viajante e como aconteceu de ele ainda pagar pelo jantar" é um artigo publicado npor Kierkegaard no Fædrelandet ("A Pátria"), em 1845; foi o primeiro de dois artigos atacando P. L. Moller e "O Corsário", que havia inescrupulosamente e negativamente criticado o "Estágios do caminho da vida" de Kierkegaard. Em fins de dezembro de 1845, no seu anuário de estética Gæa, 1846. Kierkegaard retaliou revelando que Moller escrevia secretamente para o Corsaren ("O Pirata"). Este era um semanário humorístico mal afamado, que satirizava pessoas de respeito, e era considerado desprezível, porém lido reservadamente por muita gente. Seu editor era Meïr Goldschmidt (1819-1887), bem mais novo que Kierkegaard, e que este considerava talentoso. A intenção de Kierkegaard com o seu artigo foi dupla: desacreditar Moller e afastar Goldschmidt do "O Pirata", porque acreditava que Goldschmidt era capaz de coisas de mais valor. O resultado foi péssimo para Kierkegaard, pois "O Pirata" se lançou em uma campanha para metê-lo no ridículo, caricaturando-o de vários modos, no que foi a maior comoção literária do século XIX na Dinamarca. Det dialektiske resultat af en literair Politi-Forretning ("Resultado dialético de uma ação policial literária"), Frater Taciturnus, de 1846, é o segundo de dois artigos que escreveu atacando O Pirata como jornal como corrupto e difusor de boatos. En literair Anmeldelse: To Tidsaldre, Novelle af forfatteren til En Hverdags-Historie udgiven af J. L. Heiberg, ("Duas épocas: a época da revolução e a época presente, uma revisão literária: ") de 1846 uma longa crítica do romance de Thomasine Christine Gyllembourg-Ehrensvärd, intitulado "Duas Épocas". A crítica deu margem a uma polêmica, devido a Kierkegaard achar que sua época era de reflexão, faltava paixão. Opbyggelige Taler i forskjellig ("Discursos edificantes em vários temas"), de 1847 Kjerlighedens Gjerninger. Nogle christelige Overveielser i Talers Form ("Escritos de Amor: Algumas deliberações cristãs sob a forma de Discursos"), de 1847. Longa abordagem do preceito cristão "amar o próximo como a si mesmo". Está claro que Kierkegaard estava se movendo na direção de uma ainda maior austeridade no se pensamento religioso, e nos trabalhos que ele agora produzia, particularmente Kjerlighedens gjerninger, retratava um cristianismo rígido e mais descompromissado que em qualquer de suas outras obras. Hr. Phister som Captain Scipio (i Syngestykket Ludovic): En erindring og for Erindringen ("O Sr. Phister como Capitão Scipio (na ópera cômica Ludovico): uma recordação e para recordar"), de 1848, comentário sobre a atuação do ator Joachim Ludvig Phister"s (1807-1896) como Capitão Scipio, que demonstra o interesse de Kierkegaard pelo teatro. "Procul" é o autor. Krisen og en Krise i en Skuespillerindes Liv ("A crise e uma crise na vida de uma atriz") de 1848, são especificamente a respeito da competência interpretativa da atriz Johanne Luise Pätges Heiberg (1812-1890), mulher de Johan Ludvig Heiberg, uma figura exponencial da literatura e da sociedade dinamarquesa. O pseudônimo utilizado por Kierkegaard é "Inter et Inter". Christelige Taler ("Discursos cristãos"), de 1848, neste Kierkegaard entende que seus pecados foram perdoados e esquecidos por Deus. Bogen om Adler, eller en Cyclus ethisk-religieuse ("O livro sobre Adler, ou um ciclo de ensaios ético-religiosos") por Afhandlinger, de 1846-47, revisado em 1848, foi publicado postumamente. Um pastor hegeliano radical, Adolf Adler afirmava ter tido uma visão em que Cristo ditara integralmente para ele um trabalho inteiro, porém confessa depois que sua revelação fora um erro, que ele pretendia que a obra fosse um trabalho de gênio. Kierkegaard explora as categorias de genialidade e inspiração. Tvende ethisk-religieuse Smaa ("Dois pequenos Ensaios Ético Religiosos") incluindo ("Tem o homem o direito de se deixar matar pela verdade?") e ("Diferença entre um gênio e um apóstolo"). Este trabalho, escrito 1847, foi publicado em 1849. Kierkegaard não publicou "O Livro sobre Adller" mas utilizou parte dele para tratar de martírio e as categorias de genio e inspiração nos dois artigos desse folheto, assinados com o pseudônimo Afhandlinger H. H.. Den Enkelte"; Tvende "Noter" betræffende min Forfatter ("O indivídual singular ":Duas "Notas" relativas ao meu trabalho como um autor"), Virksomhed, 1846-47, com post-scriptum de 1849 e 1855, publicado postumamente em 1859. Foi o primeiro de três trabalhos que Kierkegaard escreveu em 1848, a respeito de sua atividade autoral mas foi publicado postumamente em 1859 Synspunktet for min Forfatter-Virksomhed. En ligefrem Meddelelse, Rapport til Historien ("O ponto de vista para meu trabalho como um autor. Uma comunicação direta, notícia para a História"), foi outro desses três trabalhos de 1848, a respeito de sua atividade autoral, também publicado postumamente em 1859. Kierkegaard escreveu esse trabalho para explicar todo o seu método autoral, mas o deixou sem publicar porque lhe pareceu muito auto elogioso. Om min Forfatter-Virksomhed 1848-49 ("Sobre meu trabalho como um autor 1848-1849"), suplemento, 1850, publicado em 1851. Den væbnede Neutralitet eller Min Position som christelig Forfatter i Christenheden ("Neutralidade armada, ou minha posição como um autor cristão na cristandade"), 1848-49, publicado postumamente em 1880. Este pequeno trabalho é importante porque poderá ser a mais direta e clara afirmação da posição de Kierkegaard sobre a Igreja e a cristandade. Tem estilo diferente do utilizado nos panfletos contra a cristandade que apareceram ao final de sua vida. Lilien paa Marken og Fuglen under Himlen: Tre gudelige Taler ("Os lírios do campo e as aves no céu: três discursos devocionais"), 1849, são artigos que apareceram quase um ano depois de sua experiência religiosa de 1848 e tem o tom semelhante ao do "Discursos Cristãos". Sygdommen til doden. En christelig psychologisk Udvikling til Opbyggelse og Opvækkelse ("A doença para a morte: uma exposição psicológica cristã para edificar e alertar"), de 1849, livro que é peça associada ao "Conceito de Ansiedade" e também é um trabalho de psicologia, que vai mais longe que suas primeiras considerações psicológicas sobre a ansiedade. Neste Kierkegaard considera os aspectos espirituais da angústia. Considera a ansiedade relacionada ao que é ético, e a angústia ao que é religioso, ou seja, ao eterno. "Anti-Climacus" é o autor; com este pseudônimo Kirkegaard assinou seus mais importantes trabalhos na linha religiosa, personificando o cristão perfeito. "Anti-Climacus" é do mais alto nível enquanto "Climacus", ao contrário, personifica um cristão de menor valor. Tre Taler ved Altergangen om Fredagen ("Três Discursos sobre a comunhão às sextas-feiras"), 1849. Este trabalho contem: "O sumo sacerdote" "O publicano " e "A mulher apanhada em pecado", este último baseado em Lucas. São semelhantes aos "Discursos Cristãos". Estes trabalhos são acompanhados por uma breve explicação sobre o recurso a pseudônimos adotado anteriormente por Kierkegaard. Indovelse i Christendom ("Prática cristã"), Anti-Climacus, de 1850. Ele pretende mostrar meios pelos quais o verdadeiro cristianismo pode ser reintroduzido na Cristandade, pois esta afastou-se do cristianismo do Novo Testamento. O trabalho é polêmico e homiliético. Foi também um ataque dissimulado aos chefes da igreja dinamarquesa. En Opbyggelig Tale ("Um discurso edificante"), 1850 Foranlediget ved en Yttring af Dr. Rudelbach mig betræffende ("Carta aberta, provocada por uma referencia a mim feita pelo Dr. Rudelbach")1851, refere-se a uma proposta de reforma da Igreja feita por A. G. Rudelbach contra a qual Kierkegaard, apesar de desejar essa reforma, objeta que Rudelbach sugeria instrumentos políticos para a reforma, quando o necessário era uma demolição com reconstrução espiritual. To Taler ved Altergangen om Fredagen ("Dois discursos sobre a comunhão às sextas-feiras, escrito em 1849, publicado em 1851. Til Selvprovelse. Samtiden Anbefalet ("Para o exame de consciência: recomendado para a época presente") 1851, busca reorientar o leitor para Deus. É densa espiritualidade em todas as suas três partes: "O que é necessário para se olhar a si mesmo com verdadeira benção no espelho do mundo?", "Cristo é o caminho" e "É o espírito que dá a vida". Dommer Selv! Til Selvprovelse, Samtiden Anbefalet. Anden Række ("Julgue por si mesmo! Para o exame de consciência, recomendado para a época presente. Segunda série")1851, publicado postumamente em 1876. Está estreitamente vinculado ao "Para o exame de consciência", acima, e é sobre o sofrimento e imitação de Cristo. Vários artigos no "A Pátria" (um total de 21), publicados em 1854 e 1855, nos quais dirige pesados ataques à igreja oficial por ter erradicado o verdadeiro cristianismo, e por tê-lo substituído por uma religião do Estado. Dette skal siges; saa være det da sagt ("Isto precisa ser dito, logo, deixa que seja dito") Esse folheto de 1855 foi publicado depois da série de artigos saídos no "A Pátria". Nele Kierkegaard alega que a igreja é tão corrupta que é melhor não frequentá-la. Oieblikket ("O momento") editado no ano de 1855. Depois dos artigos publicados no "A Pátria" Kierkegaard publicou dez folhetos, cada um contendo vários artigos seus, todos continuando seu ataque à Igreja Oficial. Hvad Christus Dommer om officiel Christendom , ("O que Cristo pensa do Cristianismo oficial"), de 1855. Essse folheto foi publicado logo depois que Kierkegaard começou a publicar o Oieblikket ("O Momento"). Kierkegaard ataca outra vez a igreja oficial chamando os clérigos de livre pensadores e perjuros por não cumprirem seus votos sagrados. Guds Uforanderlighed. En Tale ("A imutabilidade de Deus: Um discurso") Publicado em 1855, em meio a seu ataque à Igreja. Além dessas obras, Kierkegaard deixou cartas e documentos, alguns reunidos depois em obras póstumas, e na publicação em vários volumes Soren Kierkegaards Papirer (Papeis de Kierkegaard), primeira parte, os datados de 1834-47, e segunda parte, de 1848-55, restando milhares de notas de interesse religioso, pessoal ou histórico, a serem ainda aproveitadas. Últimos anos Após a querela com os hegelianos, Kierkegaard torna-se um reformador religioso. Por volta de 1854 Kierkegaard estava convencido de que Deus o autorizava a atacar asperamente a igreja dinamarquesa e seu clero, o que ele começou logo a fazer com uma série de pequenos livros e panfletos e até com um periódico chamado "O Momento", de cujos números ele foi o único colaborador. Em 21 artigos no "A Pátria", em 1854 e 1855 ele faz um duro ataque à igreja oficial, como já referido, por ter erradicado o verdadeiro cristianismo, e por tê-lo substituído por uma religião do Estado. Intolerante com a hipocrisia, critica os que fingiam espiritualidade enquanto agiam segundo interesses mundanos. Considerava tais pessoas um produto da cultura cristã: o indivíduo cauteloso, respeitável, imperturbável, um cavalheiro da classe média. E sentiu-se chamado por Deus para a tarefa especial de mostrar aos seus concidadãos a verdadeira natureza do Cristianismo. A igreja da Dinamarca era estatal e a religião luterana a religião oficial do Estado. Bastava nascer no país para ser automaticamente cristão. Kierkegard alegava que isto reduzia a nada a possibilidade de uma verdadeira conversão radical a Cristo. O cristianismo deve ter por fundamento a vontade livre, sem a qual tudo perde o sentido. O pastor local, um verdadeiro funcionário público, representava a Coroa e por isso, além da prática de suas funções especificamente religiosas, também era quem coleta impostos, realizava os recenseamentos, fazia o recrutamento militar, mantinha os registros civis nos livros da igreja, supervisionava as escolas, e cuidava da assistência aos pobres, e era o presidente do Conselho Municipal, além de cuidar de seus próprios interesses, muitas vezes a maior fazenda das vizinhanças. As questões políticas e os rancores misturavam-se facilmente com os assuntos religiosos, gerando escândalos. Atacou o Bispo Jacob Pier Myster, um prelado culto e secularizado, por juntar o hedonismo de Goete com os sofrimentos de Cristo. Não chegou a criticá-lo abertamente, pois o bispo era seu amigo e havia sido o orientador espiritual de seu pai. Porém, com a morte de Myster em 1854, atacou publicamente o bispo que o sucedeu, Hans Lassen Martensen (1808-84), um hegeliano, pregador na corte, o qual Kierkegaard não respeitava. Morte As tensões daqueles dois anos da sua campanha afetaram sua saúde. Em outubro de 1855 Kierkegaard caiu inconsciente na rua, e ficou com paralisia das pernas. Levado ao Hospital, era visitado ali diariamente pelo amigo Pastor Boesen, tendo proibido a entrada de seu irmão Peter, do qual divergia pelas razões mesmas da sua campanha. Não quis receber a comunhão, para não recebê-la das mãos de um pastor da Igreja Luterana que ele disse devia ser abandonada, uma vez que Deus estava sendo desrespeitado em suas igrejas. Após internado 40 dias, veio a falecer Seu enterro foi acompanhado por uma multidão engrossada por estudantes que fizeram a guarda de seu corpo. O Pastor Peter, seu irmão, fez a oração fúnebre na "Frue Kirke", a mais importante igreja de Copenhague, e que logo cedo ficou lotada. Muitos protestaram por ter o corpo sido trazido à Igreja, por acharem que a igreja nacional não devia se imiscuir, em respeito à oposição que lhe havia feito o filósofo. Filosofia Ante hegelianismo Segundo Kierkegaard, diante da vida há várias opções possíveis, o que é, portanto, incompatível com a malha lógica em que, segundo Hegel, caem todos os fatos e também as ações humanas. Aquele pensador alemão postulava, muito ao modo aristotélico, que a história do universo obedece a uma lógica absoluta, e o homem não tem liberdade porque ele está já, previamente, preso nessa malha lógica da História. Em outras palavras, Hegel não deixa espaço para a liberdade e a fé, por causa da lógica dialética do absoluto racional, um sistema que rege todas as coisas e de cujo determinismo o homem não pode escapar. No citado "Post-scriptum", com o pseudônimo de Johannes Climacus (1846), Kierkegaard sustentou que uma sistematização lógica para a existência era impossível, uma vez que a existência é incompleta e está evoluindo constantemente. Isto implicaria um erro, que seria a tentativa de introduzir mobilidade na Lógica. A verdade Se não há lógica na existência, mas a existência é verdadeira, então a verdade também não tem lógica. Esta é a questão que Kierkegard aborda em "Post-scriptum não científico". Assim, para ele, não encontramos a verdade como uma coisa objetiva e lógica, destacada de nós, mas através de nosso modo único e peculiar de apreender as coisas que é nossa paixão: a verdade é encontrada através da subjetividade. Quanto maior o ardor com que se acredita, mais verdadeiro é o objeto do conhecimento. Isto evidentemente equivale a fazer da verdade a expressão da fé. É ao colocar maior ou menor fé em algo, que construímos nossa verdade. A verdade, para Kierkegaard, não é uma "coisa", mas uma afirmação em relação ao mundo, uma posição de vida. Quando ele diz "a verdade é subjetividade", isto é somente enquanto o sujeito traz tanta paixão junto com seu pensamento que a síntese será um fato verdadeiro. Aquilo que é incerteza, sustentado com o mais apaixonado empenho, torna-se verdade, a mais alta verdade existente para alguém. Assim, o que é subjetivo é verdade, enquanto a coisa objetiva, ao contrário, é incerta. Então, o que é esta paixão que move o indivíduo? Paixão Em "Post-scriptum não científico" o filósofo diz que a paixão é uma qualidade de lutar para chegar a ser, é o processo de vir a ser. A paixão é o motivo afirmativo do desenvolvimento, a vontade de se submeter e portanto de sofrer as mudanças do vir a ser. Essas mudanças são um sofrimento, são temporárias, e o ideal buscado é imaginado como perfeito e completo. Mas a pessoa ao buscar realizar os ideais apaixonadamente sustentados encontra ainda mais acentuada a condição limitada e finita da existência humana. Fé e Paradoxos Uma vez que as verdades essenciais estão fora do nosso alcance na medida que não podemos delas nos aproximar objetivamente, elas aparecem para nós sob a forma de paradoxos. O paradoxo é uma tensão entre afirmações, entre, pelo menos, dois focos. Por exemplo, em termos de paradoxo religioso, podemos citar a doutrina cristã de ser Jesus inteiramente divino e inteiramente humano. Ninguém pode entender como tal coisa seja possível. No entanto, não há aí contradição evidente, de modo que essa afirmação pudesse ser logicamente falsa. Uma contradição lógica coloca duas premissas opostas mutuamente excludentes, tal como "Pedro é um homem e não é um homem", na qual a palavra "homem" tem o mesmo significado nos dois lados do enunciado. Qualquer tentativa de solucionar o paradoxo será uma tentativa, ou de objetivar o que não pode ser conhecido objetivamente, - porque estamos no processo de "vir a ser" -, ou de dispensar o papel da fé como tolice o que, novamente, implica que acreditamos poder conhecer alguma coisa de modo absoluto, como se tratássemos de fora do sistema ( ou do universo) - como se de uma posição objetiva. Fenomenologia Não podemos conhecer de modo absoluto, pois Kierkegaard enfatiza, como vimos, a verdade subjetiva sobre a verdade objetiva, isto é, o que existe é, segundo ele, "a verdade que é verdadeira para mim". Quando dizemos que nosso pensamento corresponde à coisa que pensamos, estamos no mínimo inconscientes da mediação dos sentidos que é necessária ao conhecimento do objeto, mediação que é incompleta ou de algum modo prejudicada. Em outras palavras, quando identificamos o pensamento com o ser a ele correspondente, estamos nos enganando. Portanto, Kierkegaard conclui que quando alegamos conhecer uma coisa, só podemos dizer isto como um ato de fé. Este é precisamente o fundamento da fenomenologia de Husserl para quem nós só podemos conhecer objetos ideais, não as coisas em si. Então, o sistema lógico de Hegel torna-se impossível. Existencialismo Ao pensador objetivo, Kierkegaard opõe o indivíduo único, subjetivo. A verdade repousa na subjetividade, e, assim como a verdade, a verdadeira existência é alcançada por meio da intensidade dos sentimentos. Sem paixão não há movimento para o pensador. Existir, em contraste com simplesmente ser, envolve um relacionamento infinito consigo mesmo e uma ligação apaixonada com a vida. Nós não encontramos a verdade por via de uma "objetividade" destacada mas através de um profundo engajamento com o mundo. Assim, por simplesmente aprender as coisas "objetivamente", nos esquecemos o que é existir. O indivíduo realmente existente (a) está em uma relação infinita consigo mesmo e tem um interesse infinito em si e no seu destino; (b) Sempre sente a si mesmo em um "vir a ser", com uma tarefa diante de si; e (3) Está apaixonado, inspirado com um pensamento apaixonado. Ele chama a isto "paixão de liberdade". Com este pensamento Kierkegaard abre as portas do Existencialismo. Liberdade Soren Aabye Kierkegaard é considerado o pai do existencialismo. Ele lançou as bases do movimento existencialista, embora o termo "existencialismo" não estivesse então em uso. Em "O Conceito de Angústia" (1844). Fala do pecado enquanto supõe o livre-arbítrio (a angústia de que trata é a da livre escolha entre as possibilidades, que se tornou a idéia básica do futuro movimento. Se a verdade é subjetiva, decorre daí uma liberdade ilimitada. Kierkegaard não só rejeitou o determinismo lógico de Hegel (tudo está logicamente predeterminado para acontecer) como também sustentou a importância suprema do indivíduo e das suas escolhas lógicas ou ilógicas. Qualquer forma de absoluto (E aí está um ataque a Hegel) que não seja a liberdade, será necessariamente restritiva da liberdade. Qualquer forma de absoluto que não seja a liberdade, contraria a liberdade. Para Kierkegaard é mesmo impossível que a liberdade possa ser provada filosoficamente, porque qualquer prova implicaria uma necessidade lógica, o que é o oposto de liberdade. O pensamento fundamental de Kierkegaard, e que veio a se constituir em linha mestra do Existencialismo, é a falta de um projeto básico para a existência do homem, venha de onde vier. Qualquer projeto para o homem representaria uma limitação à sua liberdade, e afirma que esta liberdade é, portanto, incompatível com a malha lógica em que, segundo Hegel, caem todos os fatos e também as ações humanas e, mais ainda, que a liberdade gera no homem profunda insegurança, medo e angústia. Não existe uma essência definidora do homem; nenhum projeto básico. Esse pensamento de Kierkegaard foi mais tarde traduzido por Sartre na frase "no homem, a existência precede a essência". Sua crença na necessidade de que cada indivíduo faça uma escolha consciente e responsável tornou-se outro pilar do movimento existencialista. O individualismo existencialista é sua ênfase principal. Com efeito, dos temas do existencialismo contemporâneo, a maior parte já está nos escritos de Kierkegaard. Angústia Kierkegaard sentiu a necessidade de ampliar para a esfera da psicologia suas idéias a respeito da filosofia da liberdade. O resultado foi o conceito de angústia e o conceito de desespero, se podemos realmente diferenciá-los em sua obra, pois aparentemente, nas traduções inglesas, acham-se baralhados. Em "O conceito de angústia", disse que a liberdade gera no homem profunda insegurança, medo e angústia. Ele focaliza a angústia, como medo do indefinido do desconhecido, diferente do medo e do terror diante do perigo conhecido, o medo e terror que deriva de uma ameaça objetiva (por exemplo, um animal, um assaltante, etc.). Esta é talvez a primeira obra escrita de psicologia existencial, - descobre um sentimento que não tem objeto definido, claro. A liberdade presume possibilidades, e as possibilidades criam a angústia, seja porque estão escassas, ou, no outro extremo, porque existe um número muito grande de opções. Um colapso pode ocorrer tanto por muitas quanto por poucas possibilidades abertas ao indivíduo. Por isso torna-se um verdadeiro problema de vida descobrir quais são os verdadeiros dons e talentos de uma pessoa. Em "Risco e incerteza" diz que cada decisão é um risco. A pessoa sente a si mesma rodeada e plena de incertezas. No entanto, ela decide. Existem possibilidades reais, - reconhece -, e qualquer filosofia que as negue é opressiva, sufocante. A angustia e o pavor diante da liberdade em relação às possibilidades, o que ele considera uma doença do espírito, têm três origens: Uma é a materialidade, a inconsciência de que se é tanto um ser espiritual quanto físico. Falta de espiritualidade: Estar inconsciente de que se tem um Eu - de que se é um ser espiritual e não meramente um ser físico ou físico-mental. Falhar em compreender que se é capaz de reflexão, que se é uma síntese. Outra origem é a consciência do Eu interior, quando o homem tem consciência do seu Eu, mas não o aceita, e desespera-se por ser esse Eu, por ser de um certo modo, sem conseguir modificar-se. Gostaria de ser César, por exemplo.. O Eu quer escapar do Eu que ele sabe que é. Parece que o indivíduo se desespera com respeito a alguma coisa. Mas é apenas aparência. Na verdade desespera com respeito a si mesmo e por isso quer se livrar de si próprio. Quanto tem um slogam ambicioso "Ou César ou nada" e não consegue chegar a ser César, ele se desespera por isso. Mas isto também significa outra coisa: precisamente porque ele não conseguiu ser César, ele agora não consegue tolerar a si mesmo, ser ele mesmo. Consequentemente ele não se desespera porque não chegou a ser César mas se desespera sobre si mesmo pelo fato de não haver conseguido ser César. Consequentemente, desesperar-se sobre alguma coisa não é propriamente o desespero: este é desesperar-se de si mesmo porque não chegou a ser César. Desesperar alguém sobre si mesmo, em desespero de desejar livrar-se alguém de si mesmo - esta é a formula de todo desespero. A terceira origem é o desespero do desafio, da provocação, da rebeldia, da oposição: consciente do eu interior e desejando afirmar esse Eu, o homem se desespera pelas suas limitações. Não reconhece a relatividade e a dependência última do Eu humano perante Deus. Encapsulamento ou má fé Passar da ignorância confortável para a autoconsciência leva ao pavor, ou ansiedade. Perguntando que estilo e estratégia uma pessoa usa para evitar a ansiedade, Kierkegaard pergunta como essa pessoa está escravizada por suas mentiras sobre ela mesma e para ela mesma. Uma forma de fuga é ignorar o próprio eu, tornar-se um autômato, apegar-se a um papel. O caráter é uma estrutura construída para evitar a percepção do terror da perdição e da aniquilação que todos nós enfrentamos. Em "A doença para a morte", Kierkegaard nos lembra que nossa maior dificuldade não é porque temos um Eu e não ficamos leais a ele, mas que freqüentemente nós nem ao menos achamos em nos mesmos um Eu autêntico que mereça tal lealdade. Podemos perder o Eu e voltá-lo para atividades exteriores como uma camuflagem de seu vazio interior. Freud, um grande leitor de Nietzsche, que por sua vez apoiou-se em Kierkegaard, com certeza tirou desse pensamento de Kierkegaard o que veio a rotular, na psicanálise, de "mecanismo de defesa" e "repressão". O homem automaticamente "cultural" está confinado pela cultura e é escravo dela, seduzido na trivialidade pela rotina confortável da vida social e das alternativas limitadas e seguridade opaca que ela lhe oferece. Tal pessoa ele chama filisteu. O filisteu teme a verdadeira liberdade, porque ela coloca em perigo a estrutura de negação que cerca sua rotina cultural, abrindo as possibilidades das quais ele quer distância. É o que freqüentemente caracteriza o filisteu burguês - membro da confortável classe média urbana, mais provavelmente do mundo dos negócios. Filisteus burgueses operam dentro de fronteiras de esperteza com a qual eles tentam acomodar "o possível". Cálculo, auto-proteção, onde métodos do tipo comercial são presumivelmente transferidos para a vida do espírito, com resultados fatais previsíveis. A pessoa materialista ignora que tem um Eu eterno. Criança Tem raízes também no pensamento de Kierkegaard o postulado da psicanálise existencial de que as mentiras do caráter são construídas pela a criança para ajustar-se a seus pais, ao seu mundo, além de aos seus próprios dilemas existenciais. Essas defesas do caráter tornam-se automáticas e inconscientes. Essas mentiras negam nossas possibilidades. Conduzem as pessoas a ter medo de pensar por si mesmas. Deixar a criança explorar o mundo e desenvolver seus próprios poderes dará a elas uma "sustentação interna", uma autoconfiança diante da experiência. Maturidade Saúde mental não é "ajustamento normal" ou "normalidade cultural". A pessoa realmente saudável é aquela que transcendeu a si mesma despindo-se das mentiras do nosso caráter, entendendo a verdade de nossa situação e quebrando nosso espírito fora de sua prisão condicionada. O amadurecimento requer ambos o reconhecimento da realidade de alguém, de seus verdadeiros dons e talentos e dos seus limites. Angústia e pecado O homem pode escapar da angústia pela fé. Kierkegaard insiste que o homem está em pecado e não pode compreender o bem porque não quer compreender, e precisa da revelação de Deus para mostrar que ele se acha em pecado. A ansiedade não é em si mesma um pecado, diz ele, pois é a reação natural da alma quando em face ao escancarado abismo da liberdade. Em "A doença para a morte" diz que, experimentando o pavor, alguém salta para o pecado mas, se o desafio do cristianismo é aceito, passa da culpa à fé. Assim o pavor é o prelúdio do pecado e não sua conseqüência, como poderia a princípio parecer. O homem pode escolher o pecado em sua fuga da angústia, e o pecado a certa altura, trará mais angústia. O próprio pecado traz ansiedade, um componente da ansiedade de liberdade. Sem a fé, a angústia leva ao desespero. O pavor é a ansiedade em face do eterno. Esta ansiedade pode levar o pecador de volta a Deus que o criou e lhe deu a liberdade, e assim a ansiedade pode ser salvadora pela fé. A angústia foi, então, o caminho para a fé. Ética Individualismo moral Kierkegaard aborda uma questão ética polêmica, ao indagar se um julgamento moral pode ser suspenso em virtude de um poder maior. Ele exemplifica com o episódio em que Abraão recebe de Deus a ordem de matar Isaac. Assim ele vê o sacrifício de Abraão e Isaac: obediência a um dever, no caso a obediência a uma ordem de Deus que é a essência de tudo que é ético, mas que exigia dele um ato não ético. Kierkegaard buscava justificar-se por haver rompido seu noivado, o que ele considerava um ato não ético, porém o fez por um motivo que considerava eticamente superior, sua dedicação a Deus. Dos três modos de vida que ele considerava possíveis, o modo de vida estético, o modo de vida ético e o modo de vida religioso, este último era superior aos demais. Modos No caminho da vida há várias direções, embora se coloquem em três categorias de escolha. Assim é que distingue três tipos de vida a escolher, três escolhas fundamentais do homem: a estética, a ética e a religiosa que não são três concepções teóricas do mundo, mas sim, três maneiras de viver. Inicialmente Kierkegaard apresenta apenas dois modos de vida, ou estágios, se tomados como etapas transientes. Modo de vida estético O esteticista vive no instante e não conhece outro fim da vida senão gozar o instante que passa. Infiel, quer sempre provar novidades, foge permanentemente ao tédio, recusa engajar-se, são os Don Juans ou o intelectual cético e diletante. Modo ético No modo de vida ético o homem encarna as regras universais do dever. Trabalhador consciencioso, marido e pai devotado, leva tudo a sério, é pouco flexível, prisioneiro de idéias acabadas, e se crê cidadão exemplar. Modo religioso No modo de vida religioso o homem não está submetido a regras gerais mas é um indivíduo diante de Deus. Sua relação com Deus não se traduz em conceitos e regras gerais, mas em inspiração fora do universo da razão. Abraão está pronto para sacrificar seu filho Isaac porque Deus o ordena, mas esta ordem não é justificada por nenhuma finalidade ética. Fonte: Moura EC, Ballone GJ.