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sexta-feira, 16 de maio de 2014

A Galinha Presa!

Numa granja uma galinha se destacava entre todas as outras por sua coragem, espírito de aventura e ousadia. O dono, porém, não apreciava essas qualidade. Suas atitudes estavam contagiando as outras, que achavam bonito este modo de ser e já a estavam copiando.

Um dia o dono fincou um bambu no meio do campo, arrumou um barbante de aproximadamente 2 metros e amarrou a galinha a ele. Desse modo, de repente, o mundo tão amplo que a ave tinha foi reduzido a exatamente onde o barbante lhe permitia chegar. Ali, ciscando, comendo, dormindo, estabeleceu sua vida. De tanto andar nesse círculo, a grama que era verde foi desaparecendo e ficou somente terra.

Depois de um tempo o dono se compadeceu da ave, pois ela que era tão inquieta e audaciosa, havia se tornado uma pacata figura. Então cortou o barbante que a prendia pelo pé e a deixou solta.

domingo, 29 de julho de 2012

A avareza curada com manjares de ouro.


DOMINGO, 29 DE JULHO DE 2012

Uma boa história para contarmos as crianças para aprenderem a lutar contra a  avareza.


Conta-nos Plutarco que um rei, cuja paixão dominante era a avareza, limitava toda a sua felicidade em acumular grandes quantidades de ouro, empregando para esse fim seus vassalos nos trabalhos das minas e abandonando completamente a agricultura.

Os pobres súditos recorreram à rainha implorando-lhe que pusesse fim a tal estado de coisas; e esta, compreendendo-os, recorreu ao seguinte estratagema para curar daquela paixão o marido: mandou fazer manjares e frutas de ouro e fê-los servir na mesa do monarca, como único alimento. Este ao vê-los revelou a maior alegria, mas repetida a cena experimentou desejos de comer verdadeiras frutas e pediu que lhas trouxessem.

domingo, 1 de abril de 2012

O que se aprendeu está sendo útil como conhecimento.

“Se eu deixar de interferir nas pessoas, elas se encarregarão de si mesmas... Se eu deixar de comandar as pessoas, elas se comportam por si mesmas... Se eu deixar de pregar às pessoas, elas se aperfeiçoam por si mesma... Se eu deixar de impor às pessoas elas se tornam elas mesmas”.  

LAO-TSÉ

segunda-feira, 5 de março de 2012

Uma história: O cético e o lúcido

Uma história criativa de um autor anônimo que mostra muito bem as nossas expectativas quanto ao nosso futuro após a morte. Contando sobre as expectativas os bebês antes de nascer.

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês.

O primeiro pergunta ao outro:

- Você acredita na vida após o nascimento?
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A flor...


Havia uma jovem muito bonita, que tinha tudo: *um marido maravilhoso, *filhos perfeitos, 
*um emprego que pagava muitíssimo bem,
*uma família unida.
  O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso, o trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas.

Tempo

No parque, uma mulher sentou-se ao lado de um homem.
Ela disse:
Aquele ali é meu filho, o de suéter vermelho deslizando no escorregador.
- Um bonito garoto - respondeu o homem - e completou: - Aquela de vestido branco, pedalando a bicicleta, é minha filha. 
Então, olhando o relógio, o homem chamou a sua filha. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cobrança indevida

Depois de um dia de caminhada pela mata, mestre e discípulo retornavam ao casebre, seguindo por longa estrada. 
 
Ao passarem próximo a uma moita de samambaia, ouviram um gemido. 
 
Verificaram e descobriram um homem caído. Estava pálido e com uma grande mancha de sangue, próxima ao coração. 
 
Tinha sido ferido e já estava próximo da inconsciência. 
 
Com muita dificuldade, mestre e discípulo o carregaram para o casebre rústico, onde viviam. Lá trataram do ferimento. 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Um ponto negro

Conta-se que um professor preparou sua aula estendendo um grande lençol branco numa das paredes da sala.

Na medida em que os alunos iam entrando, tinham sua curiosidade despertada por aquele objeto estranho estendido bem à sua frente.

O professor iniciou a aula perguntando a todos o que viam. O primeiro que se manifestou disse que via um pontinho negro, no que foi seguido pelos demais. Todos conseguiram ver o pontinho negro que fora colocado, de propósito, no centro do lençol branco. 

domingo, 20 de março de 2011

Solte a panela

Certa vez, um mestre narrou a seguinte estória, a de um urso faminto que perambulava pela floresta em busca de alimento. A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores.

Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou um panelão de comida. Quando a panela já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo.

Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo. Na verdade, era o calor dela. Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava. O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.

Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo. Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a panela de comida.

O urso tinha tantas queimaduras que o fez grudar na panela e, seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.

Moral da estória:

Em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes. Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes. Temos medo de abandoná-las e esses medos nos coloca numa situação de sofrimento e desespero. Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos. Para que tudo dê certo na vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir. Tenha a coragem e a visão que o urso não teve. Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder. Solte a panela!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O poço e a pedra

Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes.

Assustado com aquele aparecimento inesperado, o monge parou e perguntou se poderia fazer algo por ele.

O homem abaixou os olhos e murmurou envergonhado: "sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afeto de meus pais e dos meus amigos. Como quem afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro e não sinto sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então desse sofrimento, dessa angústia!"- pediu ajoelhando-se.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Lobos internos


Um dia um velho avô foi procurado por seu neto, que estava com raiva de um amigo que o havia ofendido.

O sábio velhinho acalmou o neto e disse com carinho: "Deixe-me contar-lhe uma história.

Eu mesmo, algumas vezes, senti muito ódio daqueles que me ofenderam tanto, sem arrependimento. todavia, o ódio corrói a nossa intimidade mas não fere nosso inimigo. É o mesmo que tomar veneno desejando que o inimigo morra.

Lutei muitas vezes contra esses sentimentos.

O neto ouvia com atenção as considerações do avô. E ele continuou: "é como se existissem dois lobos dentro de mim. um deles é bom. Não magoa ninguém. Vive em harmonia com todos e não se ofende.

Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta. Mas, o outro lobo, ah!, esse é cheio de raiva.

Mesmo as pequenas coisas desagradáveis o levam facilmente a um ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. É tão irracional que nunca consegue mudar coisa alguma!

Algumas vezes é difícil de conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito".

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou: "E qual deles vence, vovô?"

O avô sorriu e respondeu baixinho: "Aquele que eu alimento mais freqüentemente".

E você, qual dos dois lobos tem alimentado com mais freqüência?

A figura do lobo é significativa, uma vez que representa o grau de animalidade que ainda rege as nossas ações.

Enquanto o ser humano não desenvolver todas as virtudes que o elevarão à categoria de espírito superior, sempre haverá em sua intimidade um pouco dos irracionais. E essa luta interna é que irá definindo o nosso amanhã, de acordo com o lado que mais alimentamos.

Por vezes, um simples ato impensado, uma simples ação infeliz, pode nos trazer conseqüências amargas por longo tempo.

Paulo, o grande apóstolo do cristianismo, identificou muito bem essa luta íntima quando disse: "o bem que eu quero, esse eu não faço, mas o mal que não quero, esse eu faço."

Indignado por algumas vezes ainda ser dominado pelo "homem velho", em prejuízo do homem novo que desejava ser, Paulo desabafou e nos deixou esta grande lição: é preciso perseverar.

É preciso deixar que esse lobo sedento de vingança e obcecado pela ira, que ainda encontra vitalidade em nosso íntimo, não receba alimento e desapareça de vez por todas, cedendo lugar ao homem moralmente renovado que desejamos ser.

Agindo dessa maneira poderemos um dia, não muito distante, dizer, como o próprio apóstolo Paulo disse, depois de vencer a si mesmo: "já não sou eu quem vive, é o cristo que vive em mim."

Mas, para que cheguemos a esse ponto, temos que travar muitas batalhas internas a fim de fazer com que os ensinamentos e os exemplos de Jesus, o mestre por excelência, façam sentido para nós a ponto de se constituir em força motriz, a impulsionar os nossos pensamentos e atos.

Você sabia?

Você sabia que Paulo de tarso renunciou a muitas coisas para seguir a Jesus?

Ele, que foi um dos primeiros perseguidores dos cristãos em nome da sua crença religiosa, depois que viu o mestre às portas da cidade de damasco, tornou-se seu seguidor fiel até os últimos dias de sua vida.

Mas, para isso, foi preciso silenciar muitas vezes a fera interna que tentava falar mais alto.

Foi preciso renunciar a si mesmo, deixar o orgulho de lado, tomar da sua cruz e seguir os passos luminosos do Mestre de Nazaré.

domingo, 28 de novembro de 2010

O trabalho de cada um

No Ramayana, uma das grandes epopéias indianas, conta-se a história do príncipe Rama, um jovem cheio de virtudes.
A esposa de Rama, Sita, fora seqüestrada pelo perverso Ravana.
Ajudado por ursos e macacos, o valente Rama tentava construir uma ponte até à ilha de Lanka, onde viviam Ravana e a prisioneira Sita.
Os ursos carregavam pesadas árvores e os macacos traziam pedras.
Mas, não havia trabalho para um grupo de esquilos. Pequeninos, sem muita habilidade, eles apenas conseguiam pôr alguns grãos de areia na ponte que se formava.
Os esquilos faziam assim: molhavam-se na água e depois rolavam na areia.
Os grãos de areia grudavam no pêlo e eles corriam até à ponte. Ali, sacudiam a areia sobre a construção.
Narra a história que os outros bichos riam dos esquilos e desprezavam suas tentativas de colaborar.
E os esquilos se sentiam humilhados porque seus esforços não eram valorizados.
Alguém resolveu contar a Rama o gesto dos esquilos. Esperava que Rama também risse dos bichinhos ingênuos.
Venha vê-los,Rama, venha se divertir também com esses esquilos tolos!
Mas Rama observou os animaizinhos, que rolavam na areia, enquanto todos à sua volta haviam parado o trabalho para rir.
Gentilmente, ergueu um deles do solo. Acariciou-lhe a pelagem e disse,com amor:
Um dia, todos ouvirão falar sobre a ponte para Lanka. Louvarão o esforço dos ursos e dos macacos, mas eu sou grato a todos os que trabalham. E você, pequenino, tem minha eterna gratidão.
E, diante de todos que olhavam a cena, o príncipe Rama deu um presente ao esquilo.
Acariciou-lhe as costas e seus dedos ali deixaram três listras brancas.
Esta, pequenino, é a marca de minha gratidão, disse Rama.

 
* * *
Todo o Ramayana é composto de histórias como esta, que trazem um profundo ensino moral.
Esta nos faz refletir sobre gratidão, generosidade e, principalmente, a importância do trabalho.
Por mais humilde e obscuro que seja, cada um de nós tem um papel muito importante no Mundo.
Aparentemente, outros são mais importantes, contribuem mais, têm tarefas maiores. Aparentemente.
Mas lembremos, por um momento, a falta que fazem porteiros, vigias, garis, faxineiras, empregados domésticos.
Todos são muito importantes. São homens e mulheres que se esforçam para ganhar o pão de cada dia, tantas vezes regado com lágrimas que ninguém vê.
Para Deus, todo esforço é válido, todo trabalho é digno, todo trabalhador merece recompensa. A medida do Mundo não é a medida Divina.
É que Deus, que conhece a nossa alma, sabe avaliar com exatidão o nosso esforço, capacidade e talentos.
Ele sabe que o que é simples e fácil para um, pode exigir muito de outro.
E Deus, que também vê no silêncio e na solidão, acolhe e ama cada trabalhador pequenino neste Mundo tão vasto.

 
* * *
Que cada um de nós possa ver os trabalhadores do Mundo sob a lente do imenso amor Divino.

sábado, 18 de setembro de 2010

A importância de ser você mesmo!

Autor: Charles Kroponsk.

Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen.
Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o samurai sentiu-se repentinamente inferior.

Ele então disse ao Mestre:
- "Pôr que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes.

Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Pôr que estou me sentindo assustado agora?"

O Mestre falou:
- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o samurai perguntou novamente:
- "Agora você pode me responder pôr que me sinto inferior?"

O Mestre o levou para fora. Era um noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:
- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior:

" Pôr que me sinto inferior diante de você? "

Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."

O samurai então argumentou:
- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."

E o Mestre replicou:
Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem.

Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo.
Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto nós, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer.

Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior.

Cada um é incomparavelmente único.

Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença.

Tudo é expressão igual de vida!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Sabedoria Do Samurai

Conta-se que perto de Tóquio, capital do Japão vivia um grande Samurai. Já muito idoso ele agora se dedicava a ensinar o Zen aos jovens. Apesar de sua idade corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde apareceu ali um jovem guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos. Era famoso por usar a técnica da provocação. Utilizando-se de suas habilidades para provocar, esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e dotado de inteligência e agilidade, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Assim que soube da reputação do velho Samurai, propôs-se a não sair sem antes derrota-lo e aumentar sua fama. Todos os discípulos do Samurai se manifestaram contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da pequena cidade. E diante dos olhos espantados, o jovem guerreiro começou a insultar o velho Mestre. Chutou algumas pedras em sua direção. Cuspiu em seu rosto. Gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provoca-lo, mas o velho permaneceu sereno e impassível. No final da tarde sentindo-se já exausto e humilhado o impetuoso guerreiro retirou-se. Desapontados pelo fato de o Mestre ter aceitado calado tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: - “Como o senhor pôde suportar tanta indignidade?”. - “Porque não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?”. O sábio ancião olhou calmamente para os alunos e fixando o olhar num deles lhe perguntou: - “Se alguém chega até você com um presente e lhe oferece, mas você não o aceita. Com quem fica o presente?”. - “Com quem tentou entrega-lo” – respondeu o discípulo. - “Pois bem! O mesmo vale para qualquer outro tipo de provocação. E também para a inveja, a raiva, e os insultos” – disse o Mestre.
Quando não são aceitos continua pertencendo a quem os carregava consigo. Por essa razão a sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, se você não o permitir. “Só lobos caem em armadilhas para lobos”.

O Egoísmo pode funcionar como um véu

Conta-se que no antigo Oriente havia um certo homem que veio ao mestre BAYAZID e disse: - “Jejuei e orei por 30 anos e não encontrei nada da alegria espiritual de que você fala”. - “Se você tivesse jejuado e orado por 300 anos, você também nunca a encontraria”, respondeu o sábio. - “Como é isto?”, perguntou o homem. - “Seu egoísmo está agindo como um véu entre você e Deus”. - “Mostre-me à cura” – pediu o homem. - “É uma cura que você pode realizar”, disse BAYAZID. Aqueles que o rodeavam pressionaram-no para revelá-la. Depois de algum tempo ele disse: - Vá à barbearia mais próxima e raspe os cabelos. Dispa-se de suas roupas, exceto da tanga. Tome um embornal cheio de nozes e pendure-o à volta do pescoço. Entre no mercado e grite: “Todo aquele que me der um tapa no pescoço ganhará uma noz”. Então, vá às cortes da lei e faça a mesma coisa. - “Não posso fazer isto”, disse o homem, “sugira outro remédio”.“Este é o requisito indispensável para uma cura” – respondeu BAYAZID, “mas, como lhe disse, você é incurável”.

domingo, 24 de janeiro de 2010

“Maneiras de Dizer as Coisas”

Uma sábia e conhecida anedota árabe, diz que certa feita um Sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho. - “Que desgraça Senhor!” – exclamou o adivinho: - “Cada dente caído representa a perda de um parente de Vossa Majestade”. - “Mas que insolente!”. Gritou o Sultão enfurecido. “Como te atreves a dizer-me semelhante coisas... fora daqui”. Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem 100 açoites. Mandou que lhe trouxessem outro adivinho e lhe contou o sonho. Este após ouvir o Sultão com atenção lhe disse: “Excelso Senhor, grande felicidade lhes está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes”. A fisionomia do Sultão iluminou-se num sorriso e ele mandou dar 100 moedas de ouro ao segundo adivinho. E quando este saiu do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado: - “Não é possível, a interpretação que se deu foi à mesma que o seu colega havia feito, não entendo porque ao primeiro ele pagou com 100 açoites e a você com 100 moedas de ouro”. - “Lembra-te meu amigo” respondeu o adivinho. “Que tudo depende da maneira de dizer”. Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar-se. Da comunicação depende muitas vezes a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra. Que a verdade deve ser dita em qualquer situação não resta dúvida, mas a forma com que ela é comunicada, é que têm provocado em alguns casos grandes problemas. A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa, se a lançarmos no rosto de alguém pode ferir provocando dor e revolta, mas se a envolvermos em delicada embalagem e a oferecermos com ternura, certamente será aceita com facilidade. A embalagem nesse caso é a indulgência, o carinho, a compreensão e acima de tudo a vontade sincera de ajudar a pessoa a quem nos dirigirmos. Ademais será sábio de nossa parte se antes de dizer aos outros o que dizer ser uma verdade dize-la a nós mesmos diante do espelho. E conforme seja a nossa reação, podemos seguir em frente ou deixar de lado nosso intento. Importante mesmo é sempre ter em mente que o que fará a diferença será a maneira de dizer as coisas. O grande segredo para uma comunicação importante é o exemplo de quem fala.

“Lar, Um Lugar Para Voltar...”

Você já se deu conta da importância do seu lar? Não nos referimos ao valor financeiro da sua casa, mas da importância do aconchego do lar. Na correria do nosso dia-a-dia muito de nós não pensamos no que significa ter um lar para voltar ao final de um dia de trabalho intensos e cansativos. No entanto, o lar é a base segura de todos aqueles que possuem esse grande tesouro. Temos acompanhado as histórias de pessoas que obtiveram grande sucesso nas artes, na música, nos esportes. E todas elas apontam a união familiar como ponto de apoio seguro. Existem pessoas que lutaram com dificuldades passaram por necessidades de toda ordem, mas lograram êxito graças ao carinho e a dignidade dos pais, que ofereceram suporte para vencer os obstáculos. Por essa razão o lar é um elemento indispensável como base para uma carreira de sucesso.
Não importa o tamanho da construção, nem o material de que é feito, mas importa que seja um verdadeiro mundo de amor, afeto e amizade. Pode ser uma mansão ou uma tapera, um bangalô ou um barraco singelo. Pode faltar o pão, mas não deve faltar o abraço de ternura de uma mãe dedicada. Pode faltar uma cama confortável, mas não deve faltar o braço forte de um pai que ampara e orienta. Pode faltar o luxo, mas não deve faltar o toque delicado de uma mãe caprichosa. Pode faltar muita coisa, mas não pode faltar o diálogo amigo que estreita os laços e se faz ponte de entendimento em todas as situações.
A casa pode ser frágil e não oferecer resistência contra a chuva fria, mas o lar deve ser bastante resistente para suportar as investidas das drogas e de todos os vícios. A construção pode balançar com os açoites dos ventos impiedosos, mas o lar deve se manter firme, mesmo diante das investidas mais ásperas da indignidade da desonra.
Se você nunca havia pensado nisso, pense agora. E a noitinha, enquanto o sol se despede do dia e o manto escuro da noite se estende sobre a cidade, e você vencido pelo cansaço avistar seu lar de portas abertas, um familiar de braços abertos, pra dizer: - “Olá, como foi o seu dia?”.
Você perceberá como é importante poder voltar para casa. Por essa razão valorizemos esse refúgio seguro, no qual passamos a maior parte de nossas vidas. Valorizando também aqueles que compartilham conosco desse pequeno oásis.
E façamos com que ele possa ser um verdadeiro porto seguro. E nunca nos esqueçamos de que o lar, mesmo quando assinalado pelas dores decorrentes do aprimoramento dos que o constituem, é oficina purificadora, onde se devem trabalhar as bases seguras da humanidade de todos os tempos.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Amor e justiça




Houve, séculos atrás, uma tribo cujo chefe era tido como superior aos chefes de todas as demais tribos. Naquela época, a superioridade era medida pela força física. Assim, a tribo mais poderosa era a que tinha o chefe mais forte.


Mas o chefe de que estamos falando não tinha somente força física. Ele era também conhecido por sua sabedoria. Desejando que o povo vivesse em segurança, ele criou leis abrangendo todos os aspectos da vida tribal.

Eram leis severas que ele, como juiz imparcial, fazia cumprir com rigor. Certa feita, problemas começaram acontecer na tribo. Alguém estava cometendo pequenos furtos. O chefe reuniu a tribo e com tristeza no olhar, frisou que as leis tinham sido feitas para os proteger, para os ajudar. Como todos tinham o de que necessitavam para viver, não havia necessidade de ocorrerem furtos. Assim, ele estabeleceu que o responsável teria o castigo habitual aumentado de 10 para 20 chibatadas.

Os furtos, entretanto, continuaram. Ele voltou a reunir o grupo e aumentou o castigo para 30 chibatadas. Mas os furtos não cessaram. "Por favor", pediu o chefe. "estou suplicando. Para o bem de vocês, os furtos precisam parar. Eles estão causando sofrimento entre nós." E aumentou o castigo para 40 chibatadas.

Naquele dia, os que estavam próximos dele, viram que uma lágrima escorreu pela sua face, quando ele dispersou o grupo. Finalmente, um homem veio dizer que tinha identificado o autor dos furtos. A notícia se espalhou e todos se reuniram para ver quem era.

Um murmúrio de espanto percorreu a pequena multidão, quando a pessoa foi trazida por dois guardas. A face do chefe empalideceu de susto e sofrimento. Era sua mãe. Uma senhora idosa e frágil. "E agora?" Pensou o povo em voz alta. Todos começaram a se questionar se o chefe seria, ainda assim, imparcial. Será que ele faria cumprir a lei? Seria o amor por sua mãe capaz de o impedir de cumprir o que ele mesmo estabelecera?

Notava-se a luta íntima do chefe que, por fim, falou: "Meu amado povo. Faço isso pela nossa segurança e pela nossa paz. As 40 chibatadas devem ser aplicadas, porque o sofrimento que este delito nos causou foi grande demais."

Acenou com a cabeça e os guardas fizeram sua mãe dar um passo à frente. Um deles retirou o manto dela, deixando à mostra as costas ossudas e arqueadas. O carrasco, armado de chicote, se aproximou e começou a desenrolar o seu instrumento de punição.

Nesse momento, o chefe deu um passo à frente. Retirou o seu manto e todos puderam ver seus ombros largos, bronzeados e firmes. Com muito carinho, ele passou os braços ao redor de sua querida mãe, protegendo-a, por inteiro, com o próprio corpo.

Ele encostou o seu rosto ao da mãe e misturou as suas com as lágrimas dela. Murmurou-lhe algo ao ouvido e então, fez um sinal afirmativo para o encarregado. O homem se aproximou e desferiu, nos ombros fortes e vigorosos do chefe da tribo uma chibatada, após outra, até completar exatamente 40.

Foi um momento inesquecível para toda a tribo que aprendeu, naquele dia, como se podem harmonizar com perfeição, o amor e a justiça.
***
O amor é vida, e a compaixão manifesta-lhe a grandeza e o significado.
O amor tudo pode e tudo vence, encontrando soluções para as situações mais difíceis e controvertidas.
Enfim, o amor existe com a finalidade exclusiva de tornar feliz quem o cultiva, enriquecendo àqueles aos quais se dirige.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Os músicos de Bremen

Um homem tinha um burro que, há muito tempo, carregava sacos de milho para o moinho. O burro, porém, já estava ficando velho e não podia mais trabalhar. Por isso, o dono tencionava vendê-lo. O pobre animal, sabendo disso, ficou muito preocupado, pois não podia imaginar como seria seu novo dono... e então, para evitar qualquer surpresa desagradável, pôs-se a caminho da cidade de Bremen.
"Certamente, poderei ser músico na cidade", pensava ele.
Depois de andar um pouco, encontrou um cão deitado na estrada, arfando de cansaço.
- Por que estás assim tão fatigado? perguntou o burro.
- Amigo, já estou ficando velho e, a cada dia, vou ficando mais fraco. Não posso mais caçar; por isso meu dono queria me entregar à carrocinha. Então, fugi, mas não sei como ganhar a vida.
- Pois bem, lhe disse o burro. Minha história é bem semelhante à sua. Vou tentar a vida como músico em Bremen. Venha comigo. Eu tocarei flauta e você poderá tocar tambor.O cão aceitou o convite e seguiu com o burro.
Não tinham andado muito, quando encontraram um gato, muito triste, sentado no meio do caminho.
- Que tristeza é essa, companheiro? lhe perguntaram os dois.
- Como posso estar alegre, se minha vida está em perigo? respondeu o gato. Estou ficando velho e prefiro estar sentado junto ao fogo, em vez de caçar ratos. Por esse motivo, minha dona quer me afogar.
- Ora, venha conosco a Bremen, propuseram os outros. Seremos músicos e ganharemos muito dinheiro.
O gato, depois de pensar um pouco, aderiu e acompanhou-os. Foram andando até que encontraram um galo, cantando tristemente, trepado numa cerca.
- Que foi que lhe aconteceu, amigo? perguntaram os três.
- Imaginem, respondeu o galo, que amanhã a dona da casa vai ter visitas para o jantar. Então, sem dó nem piedade, ordenou ao cozinheiro que me matasse para fazer uma canja.
Os outros, então, lhe propuseram:
- Nós vamos a Bremen, onde nos tornaremos músicos. Você tem boa voz. Que tal se nos reunissemos para formar um conjunto?
O galo gostou da idéia e juntando-se aos outros seguiram caminho.
A cidade de Bremen ficava muito distante e eles tiveram que parar numa floresta para passar a noite.
O burro e o cão deitaram-se em baixo de uma árvore grande.
O gato e o galo alojaram-se nos galhos da árvore.
O galo, que se tinha colocado bem no alto, olhando ao redor, avistou uma luzinha ao longe, sinal de que deveria haver alguma casa por ali. Disse isso aos companheiros e todos acharam melhor andar até lá, pois o abrigo ali não estava muito confortável.
Começaram a andar e, cada vez mais, a luz se aproximava. Afinal, chegaram à casa.
O burro, como era o maior, foi até a janela e espiou por uma fresta. À volta de uma mesa, viu quatro ladrões que comiam e bebiam. Transmitiu aos amigos o que tinha visto e ficaram todos imaginando um plano para afastar dali os homens. Por fim, resolveram aproximar-se da janela. O burro colocou-se de maneira a alcançar a borda da janela com uma das patas.
O cão subiu nas costas do burro.
O gato trepou nas costas do cão e o galo voou até ficar em cima do gato.
Depois, a um sinal combinado, começaram a fazer sua música juntos: o burro zurrava, o cão latia, o gato miava e o galo cacarejava.
A seguir, quebrando os vidros da janela, entraram pela casa a dentro, fazendo uma barulhada medonha. Os ladrões, pensando que algum fantasma havia surgido ali, saíram correndo para a floresta.
Os quatro animais sentaram-se à mesa, serviram-se de tudo e procuraram um lugar para dormir. O burro deitou-se num monte de palha, no quintal; o cão, junto da porta, como a vigiar a casa; o gato, junto ao fogão, e o galo encarapitou-se numa viga do telhado. Como estavam muito cansados, logo adormeceram.
Um pouco além da meia noite, os ladrões, verificando que a luz não brilhava mais dentro da casa, resolveram voltar.
O chefe do bando disse aos demais:
- Não devemos ter medo! E mandou que um entrasse primeiro para examinar a casa.
Chegando à casa, o homem dirigiu-se à cozinha para acender um vela.
Tomando os olhos do gato, que brilhavam no escuro, por brasas, tentou neles acender um fósforo.
O gato, entretanto, não gostou da brincadeira e avançou para ele, cuspindo-o e arranhando-o.
Ele tomou um grande susto e correu para a porta dos fundos, mas o cão, que lá estava deitado, mordeu-lhe a perna.
O ladrão saiu correndo para o quintal, mas, ao passar pelo burro, levou um coice.
O galo, que acordara com o barulho, cantou bem alto:
- Có, có, ró, có!!!! Sempre a correr, o ladrão foi se reunir aos outros, a quem contou:
- Lá dentro há uma horrível bruxa que me arranhou com suas unhas afiadas e me cuspiu no rosto.
Perto da porta, há um homem mau que me passou um canivete na perna.
No quintal, há um monstro escuro, que me bateu com um pedaço de pau.
Além disso tudo, no telhado está sentado um juiz, que gritou bem alto:
"- Traga aqui o patife!!!"... Acho que não devemos voltar lá... é muito perigoso!!Depois disso, nunca mais os ladrões voltaram à casa, e os quatro músicos de Bremen sentiam-se muito bem lá, onde faziam suas músicas e viviam despreocupados.
De vez em quando alguém das redondezas os chamavam e lá iam eles, felizes e contentes, tocar a sua música...."
* de Jakob e Wilhelm Grimm

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Medo

“Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato. Um mágico teve pena dele e o transformou em gato. Mas aí ele ficou com medo do cão, por isso o mágico o transformou em cão. Então, ele começou a temer a pantera e o mágico o transformou em pantera. Foi quando ele se encheu de medo do caçador. A essas alturas, o mágico desistiu.
Transformou-o em camundongo novamente e disse: “Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem a coragem de um camundongo”. É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto. Mas saiba que coragem não é a ausência do medo, e sim a capacidade de avançar mesmo com o medo”.